Luís Represas: Concertos dos 50 anos de carreira vão cumprir-se em 2027
Manuel Faria assume a direção musical dos espetáculos nos Coliseus, prometendo revisitar os temas a solo e os sucessos com os Trovante.

Os concertos que celebram os 50 anos de carreira de Luís Represas vão mesmo acontecer, apesar da morte do músico em 22 de julho.
A promotora anunciou em 4 de agosto de 2026 que os espetáculos de homenagem, agendados para os Coliseus de Lisboa e do Porto, a 10 e 17 de abril de 2027, respetivamente, se vão manter.
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Num comunicado enviado à Lusa, a promotora detalhou a decisão: “Estavam marcados, e vão mesmo cumprir-se os concertos que assinalam os 50 anos de carreira de Luís Represas, a 10 e a 17 de abril de 2027, nos Coliseus de Lisboa e do Porto, deitando mão às canções em nome próprio e às que dividiu com o Trovante”.
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A intenção por trás da manutenção dos concertos é clara: “concretizam-se um desejo e um princípio muito repetidos nas últimas semanas: o de não deixar silenciar, não permitir que se remeta para o esquecimento, uma obra singular, que mudou e moldou os caminhos da Música Portuguesa”.
O anúncio foi feito em 4 de agosto de 2026, precisamente 50 anos após a fundação dos Trovante, em 4 de agosto de 1976. Essa data assinalou também o início da carreira profissional de Luís Represas, que nos deixou aos 69 anos.
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Para os “amigos, os próximos, os cúmplices do percurso ou de partes dele, os parceiros e aqueles que descobriram em Luís Represas uma fonte de inspiração”, os espetáculos nos Coliseus “não perdem sentido nem alcance”. Pelo contrário, a promotora garante que “o mapa musical continua a ser o mesmo, as visitas serão guiadas por aqueles que fazem questão de pegar no testemunho e, assim, respeitar o propósito destas noites em duas salas mágicas e marcantes”.
Manuel Faria, figura presente tanto nos Trovante como no percurso a solo de Represas, será o diretor musical dos concertos. Conta com o apoio de Carlos Garcia, “nuclear nos tempos mais recentes do cantor”, e de Miguel Nuñez, “o pianista cubano que também andou várias vezes lado a lado com o Luís”.
Em palco, o público contará com a presença dos músicos dos Trovante e da banda que acompanhava Luís Represas. O “elenco das vozes chamadas a este desafio único será revelado em breve”, adiantou a promotora.
Os bilhetes já comprados para os concertos de 10 e 17 de abril de 2027 nos Coliseus de Lisboa e do Porto continuam válidos. Quem pretender o reembolso deve contactar a plataforma BOL, sendo 5 de setembro de 2026 a data limite para o pedido.
A carreira de Luís Represas, iniciada em 4 de agosto de 1976 com a formação oficial dos Trovante, dividia-se em “dois lados, embora um contamine fortemente o outro”, explicou o músico em entrevista à Lusa, em maio de 2026, quando os concertos foram anunciados.
“A primeira fase é a do aparecimento do Trovante, em 1976. E [de] toda essa fase, até 1992, a história já foi mais do que contada, está mais do que contada: fizeram-se espetáculos [o grupo voltou a juntar-se ao vivo algumas vezes, a última das quais em março de 2026], onde a história se contou ainda mais”, disse Represas na altura. Desde o fim dos Trovante até agora, “vem uma história que se calhar não foi tão contada, mas foi muito vivida”. Seria sobretudo nestes anos a solo que os concertos nos coliseus iriam incidir.
Luís Represas nasceu em Lisboa em 1956. Pouco antes de fazer 20 anos, fundou os Trovante com João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e o irmão João Represas. O primeiro álbum, ‘Chão Nosso’, saiu um ano depois, em 1977, marcando a identidade sonora do grupo, que misturava música popular e tradicional com rock.
Os Trovante, cujo nome evoca os antigos trovadores, mantiveram-se ativos até aos anos 1990, com discos como ‘Baile no Bosque’ (1981), ‘Cais das Colinas’ (1983), ‘Terra Firme’ (1987) e ‘Um Destes Dias’ (1990). Após a separação, reuniram-se várias vezes, incluindo em 1999, 2006, 2017 e em março de 2026.
Em 1993, Luís Represas lançou-se a solo com o álbum ‘Represas’, gravado em Cuba, onde colaborou com músicos como Pablo Milanés (1943-2022). Este disco, com canções como ‘Fora de Tempo’, ‘Neva sobre a marginal’ e ‘Feiticeira’, foi, como contou à Lusa em maio de 2026, fundamental no seu percurso.
Seguiram-se ‘Cumplicidades’ (1996), com Bernardo Sassetti (1970-2012), ‘A hora do lobo’ (1998), ‘Código Verde’ (2000), ‘Reserva Especial’ (2001) e ‘Fora de Mão’ (2003). Em 2008, voltou a Cuba para gravar ‘Olhos nos olhos’. Em 2011, juntou-se a João Gil para o álbum ‘Luís Represas e João Gil’. ‘Cores’ (2014), ‘Boa hora’ (2018) – distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores –, ‘Miragem’ (2024) e vários álbuns ao vivo completam a sua discografia.
A luta pela independência de Timor-Leste foi outra causa abraçada por Luís Represas. A canção ‘Timor’, com música de João Gil e letra de João Monge, incluída no álbum ‘Um destes dias’, voltou a reunir os Trovante em 1999, tornando-se um hino para a independência timorense. A letra seria traduzida para tétum por Xanana Gusmão.
Em 2000, o então Presidente Jorge Sampaio convidou Represas para o acompanhar numa visita oficial a Timor-Leste. Em 2016, o músico foi condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste pelo então Presidente, Taur Matan Ruak. Em 2005, o Estado Português distinguiu-o com a Ordem de Mérito, no grau de Comendador.
Ao longo da sua carreira, Luís Represas colaborou com nomes como Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown.
Além da música, Represas aventurou-se na restauração, gerindo o bar-restaurante Xafarix, editou o livro infantil ‘A coragem de Tição’ e apresentou o programa de televisão ‘Língua Mãe’.