O mundo do espetáculo português ficou mais pobre este domingo, 31 de maio, com a notícia da morte do ator João Barbosa, aos 56 anos.
Nascido em Bruxelas, em 1969, a sua partida foi confirmada pela equipa do Teatro do Bairro, com quem colaborou de forma intensa ao longo da sua carreira, marcando gerações com o seu talento e a sua presença nos palcos, na televisão e no cinema.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
A homenagem não tardou a chegar, com o ator Filipe Vargas a recorrer às redes sociais para expressar a sua profunda tristeza. No Instagram, o rosto da novela “Páginas da Vida”, da SIC, partilhou uma memória especial de quando conheceu João Barbosa, pouco depois de regressar dos seus estudos de teatro em Madrid. A primeira oportunidade em Lisboa surgiu numa encenação de António Pires do “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, no Mosteiro dos Jerónimos, onde João Barbosa já era parte integrante do elenco.
Leia também: Júlia Pinheiro partilha a doçura de ser avó com a neta Pilar
Filipe Vargas recordou com carinho a forma como o colega o acolheu nesse projeto: “O João Barbosa já fazia parte do elenco e o seu talento e generosidade e humor fizeram com que esta integração num grupo já criado fosse tão natural como prazerosa”.
Ao longo dos anos, testemunhou a versatilidade de João Barbosa, que se desdobrava em “um variadíssimo rol de papéis, principalmente no teatro”, sendo sempre uma “surpresa, uma frescura, uma novidade, um gosto e uma maravilha vê-lo vestir tantas peles diferentes invariavelmente com muita verdade e dedicação”. O lamento de Filipe Vargas resumiu o sentimento de muitos: “Foi-se-nos um tipo bom, talentoso e divertido, um ator e ser humano completos como poucos”.
Leia também: Cristina Ferreira explica decisão de revelar traição a Afonso Leitão no Secret Story
A carreira de João Barbosa, iniciada em 2003 com a “Ópera do Malandro”, sob a direção de António Pires, foi vasta e rica. Além de inúmeras participações em telenovelas e filmes de realizadores como João Botelho, João Canijo, Pedro Pinho e Joaquim Leitão, foi no teatro que deixou uma marca indelével. Colaborou ativamente com o Teatro do Bairro em peças emblemáticas como “Rei Lear”, de Shakespeare, “Ubu Rei”, de Alfred Jarry, “De Passagem”, de Luísa Costa Gomes, “Festa de Aniversário”, de Harold Pinter, e “À Espera de Godot”, de Samuel Beckett, muitas delas com encenação de António Pires.
O Teatro do Bairro, ao despedir-se, sublinhou que João era “muito mais, muito mais, do que um elemento da nossa companhia”, descrevendo-o como “presença, amizade, generosidade e coração”. A sua “alegria contagiante” e a “forma única como tocava a quem com ele privava” ficarão para sempre na memória. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também fez questão de lamentar a perda, destacando a sua “marca inconfundível” e a “enorme legião de amigos e companheiros de profissão que o não esquecerão”.