A psicóloga Inês Balinha manifestou preocupação pela vulnerabilidade da utente no meio do corte de relações entre a família e a instituição.
A história da idosa de 96 anos que foi conduzida por funcionárias de um lar em Beja até à porta da casa do seu filho motivou uma discussão sobre a gestão de conflitos em instituições de apoio social durante o programa «Dois às 10» desta terça-feira, 21 de julho.
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Após a recusa da instituição em prestar declarações à equipa de reportagem da TVI, o painel do programa analisou a rutura entre o familiar, Alfredo Riscado, e a administração da estrutura. O filho da utente afirma estar impedido de visitar a mãe há uma semana e assegura que a entrega da medicação habitual tem sido rejeitada pela direção do espaço.
Durante o debate conduzido por Cristina Ferreira, a comentadora Inês Balinha chamou a atenção para o estado de desproteção em que a utente centenária foi colocada devido ao escalar de posições. “Esta senhora está em risco neste momento. E fazer mais queixas e mais advogados e mais confusões só faz com que (…) a idosa fique ainda em pior situação“, alertou.
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Inês Balinha estabeleceu uma comparação entre o braço de ferro vividos no lar e os conflitos em meio escolar. “Está a fazer-me lembrar aqueles pais que lutam pelos filhos e depois esquecem-se de tudo, e as crianças e os idosos, sendo mais vulneráveis, ficam expostos no meio de um conflito e já chega a um patamar em que estão tão obcecados um com o outro, quem é que tem razão, que já ninguém tem discernimento para proteger o idoso“, afirmou.
A comentadora acrescentou que a postura intransigente da instituição acaba por prejudicar o bem-estar diário da idosa. “Nem o lar está a ter capacidade para gerir um conflito de uma pessoa que está a dizer o tempo todo que a mãe não está a ser bem cuidada (…) Por outro lado, temos um filho que teme perder a mãe ali, o que está a fazer com que ela fique imediatamente e todos os dias num ambiente de conflito muito elevado, porque esta senhora não está a ser tratada como as outras“, lamentou Inês Balinha.
Cristina Ferreira rematou a reflexão sublinhando o impacto emocional na utente, notando que, devido ao impasse, a idosa passa a ser “olhada como uma empecilha, é olhada como uma complicação” no seio da instituição.
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