O balanço crítico do “Diário” do Big Brother Verão nas audiências da TVI
Com uma média de apenas 10,6% de share e quase sempre derrotado pela concorrência, o bloco diário do reality show despede-se hoje sem nunca ter conquistado a preferência maioritária dos portugueses no final de tarde.
Hoje é dia de decisões na TVI com a transmissão da grande final do Big Brother Verão.
Contudo, longe do brilho e da expectativa que rodeiam as galas de domingo ou a emissão decisiva desta noite, o balanço daquele que foi o motor diário do formato é tudo menos triunfal. O bloco Big Brother Verão – Diário, emitido ao final da tarde entre as 18h00 e as 20h00, despediu-se ontem da grelha de programação após 49 emissões consecutivas (se bem que antes era Diário+Ultima hora, depois foi encurtado).
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O rasto estatístico deixado pelo programa revela uma dura realidade para a estação de Queluz de Baixo: o formato falhou na sua principal missão competitiva e perdeu, quase sistematicamente, a batalha pelas audiências para a concorrência direta.
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A análise exaustiva dos dados medidos pela MediaMonitor/CAEM ao longo de toda a temporada, que arrancou a 29 de junho e terminou nesta quinta-feira, 3 de setembro, expõe a fragilidade do programa. No balanço final, o Diário registou uma audiência média de 3,7% de rating (equivalente a 364,4 mil espectadores) e uma quota de mercado (share) de apenas 10,6%.
Num horário estratégico que serve de rampa de lançamento para o prime time, estes números colocam a TVI numa posição de clara desvantagem face à concorrência direta da RTP1, com o inabalável O Preço Certo, e da SIC, que manteve a liderança e a vice-liderança do horário fora do alcance do reality show.
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O arranque da temporada, a 29 de junho, ainda alimentou algumas ilusões em Queluz de Baixo. Na primeira segunda-feira pós-gala de estreia, o diário registou a sua segunda melhor marca da época: 4,6% de rating e 11,1% de share, captando a atenção de 454,2 mil espectadores. No dia seguinte, 30 de junho, o interesse manteve-se relativamente estável, com 4,2% de rating e 11,3% de share.
No entanto, o fôlego inicial esgotou-se em menos de uma semana. Logo na primeira sexta-feira, dia 3 de julho, o programa tombou para uns expressivos 2,9% de rating (apenas 292 mil espectadores) e uns preocupantes 9,5% de share. O padrão estava lançado: incapaz de fidelizar o público num período de menor consumo e de maior apelo ao lazer exterior, o Diário passou a ver os concorrentes diretos distanciarem-se logo no início de cada fim de semana.
O único momento em que o programa deu sinais de maior fulgor estatístico ocorreu em meados de julho, mas mesmo esses “picos” devem ser analisados com cautela técnica. A 13 de julho, uma segunda-feira, o formato subiu para 4,6% de rating e 12,7% de share (com 456,2 mil espectadores). No dia seguinte, 14 de julho, registou-se o recorde absoluto de rating da temporada, atingindo os 4,7% (o equivalente a 467 mil espectadores).
Contudo, este recorde de rating esconde um truque de programação: a emissão desse dia teve a duração atípica de apenas 16 minutos e 2 segundos, tendo sido empurrada para as 19h26. Ao colar o bloco ao arranque do Jornal Nacional, a TVI inflacionou artificialmente a audiência média do programa, aproveitando a migração em massa dos espectadores para os blocos informativos da noite.
Sempre que o formato foi exibido na sua duração normal de cerca de uma hora, a dificuldade em segurar o público foi evidente. O recorde máximo de share fixou-se nuns modestos 13,0% no dia 15 de julho (com 4,2% de rating), um valor que, na história recente dos reality shows em Portugal, fica muito aquém dos patamares de liderança a que a TVI habituou o mercado.
Se em julho o formato já mostrava dificuldades em vencer a concorrência, o mês de agosto transformou-se numa verdadeira provação. À medida que o país entrava no período tradicional de férias, o consumo televisivo geral recuou e a TVI viu o seu público desertar em massa.
A 31 de julho, o programa bateu o seu mínimo histórico de rating, afundando para os 2,8% e atraindo uns residuais 276,9 mil espectadores (com 9,3% de share). Duas semanas mais tarde, a 12 de agosto, o Diário registou o pior desempenho em quota de mercado de toda a temporada, fixando-se nuns alarmantes 8,4% de share (com 3,0% de rating e 295,1 mil espectadores), numa emissão encurtada para 33 minutos.
Ao longo de quase todo o mês de agosto, o share do programa flutuou obsessivamente em torno dos 9% e 10%. Num mercado onde a RTP1 e a SIC disputam a liderança do final de tarde com quotas de mercado frequentemente acima dos 15% e 18%, o Diário do Big Brother entregou o horário de bandeja aos rivais, deixando o canal numa situação de asfixia antes do arranque dos telejornais.
A reta final do programa, que coincidiu com o regresso gradual dos portugueses às suas rotinas no final de agosto, registou uma ligeira recuperação técnica, beneficiando do aumento do consumo geral de televisão. O programa chegou a registar 4,5% de rating a 24 de agosto e bateu o seu recorde de reach (contacto) a 27 de agosto, alcançando 11,3% deste indicador.
Ainda assim, a despedida do formato, ocorrida ontem, quinta-feira, 3 de setembro, acabou por ser o reflexo perfeito de uma temporada falhada. O último diário registou uma quebra abrupta, fechando com 3,2% de rating e apenas 9,2% de share (318,4 mil espectadores). A justificar este colapso esteve uma decisão comercial agressiva da própria TVI: a meio da emissão, o canal introduziu um intervalo publicitário maciço de 18 minutos e 37 segundos.
Este longo bloco de anúncios registou uma média irrisória de 2,8% de rating e 8,3% de share, quebrando por completo a dinâmica do programa e levando a que o público fizesse migração direta para a concorrência. Embora o bloco final de conteúdo (pelas 19h41) tenha recuperado ligeiramente para 3,6% de rating, o estrago na média final do dia já era irreversível.
A grande final desta noite do Big Brother Verão deverá, sem surpresa, garantir uma excelente audiência à TVI, beneficiando do efeito de curiosidade e do mediatismo acumulado em torno dos concorrentes. No entanto, o desempenho do Diário ao longo de mais de dois meses deixa um aviso sério à direção de programas de Queluz de Baixo.
O saldo médio de 10,6% de share ao longo de 49 emissões prova que o formato de diários de final de tarde está desgastado e já não tem a capacidade de impor a sua lei frente a propostas consolidadas da concorrência, como o entretenimento popular da RTP ou a ficção da SIC.
Longe de ser um motor de audiências, o Diário funcionou este verão como um travão na dinâmica da TVI, demonstrando que, para vencer a batalha diária do final de tarde, a estação precisará de algo mais do que resumos diários de uma casa vigiada.