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O segredo mais bem guardado do NOS Alive: O único artista que Álvaro Covões não conseguiu trazer a Portugal

“A maior parte perde”: Álvaro Covões revela a realidade crua dos bastidores do negócio dos espectáculos

Das exigências de bastidores de Nick Cave ao risco financeiro “gigante”, o promotor abriu o livro sobre o dia a dia da indústria dos espectáculos.

Numa entrevista concedida a Conceição Lino no recinto do NOS Alive, Álvaro Covões abriu o livro sobre o seu percurso pessoal e a complexa engrenagem que move a indústria dos grandes espectáculos em Portugal. Criado no ambiente do Coliseu dos Recreios de Lisboa, propriedade da sua família há mais de um século, o gestor confessou que os seus pais tinham outros planos para o seu futuro.

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Inicialmente queriam que eu fosse médico e acabei por ir para a gestão, economia, portanto“, começou por recordar, revelando a forma como geriu a sua independência na juventude: “Eu sempre fui rebelde. (…) Só disse ao meu pai que estava em Gestão de Empresas quando passei para o segundo ano“. Diferente do pai, que classificou como “bom-vivante”, Álvaro Covões assumiu uma entrega total à vida profissional: “O meu vício era trabalhar. E, portanto… Porque quando nós trabalhamos naquilo que gostamos (…) não estamos a trabalhar, estamos também a divertir-nos“.

Analisando a realidade de gerir uma promotora, o empresário explicou que o perigo de perdas financeiras é diário e absoluto. “Um espectáculo se não… É como uma empresa. Tem um tempo de vida muito curto. Quando ele termina, fechou. Portanto, já não há hipótese nenhuma de poder recuperar financeiramente o investimento. (…) O espectáculo é no dia 4, às 10h30 acabou, morreu. Portanto, o risco financeiro é gigante“, clarificou.

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Sobre a preparação do alinhamento do NOS Alive, o produtor revelou a existência de três planos distintos antes da apresentação oficial ao público. “Os festivais passam por três fases: há o programa que gostaríamos, o programa que de facto é possível (…) e o programa que vai acontecer mesmo. (…) Só conhecem o último“, explicou a Conceição Lino, partilhando a rara exceção de um grande nome que não conseguiu trazer ao país: “O único que não veio e que foi quase possível era o Tom Waits, que estava a fazer uma tour por teatros de ópera e, para variar, o Teatro São Carlos, que nunca está disponível para os privados, estava em obras“.

Confrontado com o mito em torno das excentricidades dos artistas nos bastidores, Álvaro Covões desmistificou o tema e garantiu manter a distância. “Raramente estou com os artistas. (…) O Nick Cave traz um chef. Porquê? Portanto, temos que preparar uma cozinha para ele poder trabalhar“, exemplificou, reforçando que prefere equipas que saibam discordar da sua visão: “Não gosto de yes-men. Não gosto de pessoas que digam que sim a tudo. Não podem concordar sempre com tudo“.

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