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Os segredos do Connected Ball que ‘salvou’ Portugal no Mundial 2026

A FIFA esclareceu o golo anulado à Croácia frente a Portugal no Mundial 2026, revelando como a tecnologia Connected Ball detetou o toque no fora de jogo.

Portugal vencia por 2-1 quando, aos 112 minutos de jogo, a Croácia marcou um golo que ameaçou complicar a passagem aos oitavos de final do Mundial 2026.

Na sequência de um cruzamento que expôs a baliza portuguesa, Gvardiol desviou a bola para o fundo das redes. No entanto, o lance acabou por ser invalidado por fora de jogo de Igor Matanovic, uma decisão de imediato contestada pela equipa croata, que argumentava não ter existido qualquer toque do avançado na jogada.

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A resolução da polémica surgiu através da tecnologia Connected Ball. Alertado pelo videoárbitro, o juiz norueguês Espen Eskas recorreu à análise gráfica que dissipou as dúvidas: Matanovic tocou efetivamente na bola, ainda que de forma muito ligeira, um desvio que foi suficiente para o árbitro anular o golo.

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No final da partida, o médio croata Petar Sucic não escondeu a frustração face à decisão. “O árbitro disse que não viu, mas a bola tem um sensor. É difícil, mas espero que alguém nos explique a decisão. Não vi o Matanovic tocar na bola. A sorte calhou ao outro lado esta noite”, afirmou o jogador em declarações aos jornalistas.

Horas mais tarde, a FIFA utilizou a rede social X para clarificar a situação e divulgar os dados oficiais. “De acordo com os dados fornecidos pela tecnologia Connected Ball, integrada na Trionda, a bola oficial do torneio do Mundial, ficou comprovado que houve contacto por parte do jogador n.º 20 da Croácia, Igor Matanović, na jogada que antecedeu o golo contra Portugal, o que permitiu ao árbitro determinar corretamente o fora de jogo e anular o golo”, explicou a organização.

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A entidade que rege o futebol mundial detalhou ainda o funcionamento deste mecanismo tecnológico. Os sensores IMU integrados na bola Trionda são capazes de detetar qualquer contacto, que é posteriormente apresentado aos espetadores na transmissão televisiva sob a forma de um gráfico semelhante a um eletrocardiograma. Este sistema proporciona aos árbitros um nível de dados extremamente preciso para tomarem decisões rápidas em lances de dúvida.

O sistema Connected Ball baseia-se num microchip inserido no interior da bola, capaz de registar dados em tempo real com alta precisão. O dispositivo monitoriza o movimento, a velocidade, a trajetória e cada toque efetuado pelos jogadores, recorrendo a um sensor de movimento que gera informação 500 vezes por segundo (500 Hz).

Esta ferramenta estreou-se nas competições seniores da FIFA durante o Mundial 2022, ganhando grande visibilidade ao atribuir um golo a Bruno Fernandes frente ao Uruguai, num lance em que Cristiano Ronaldo reclamava ter tocado na bola de cabeça. Após ter sido também utilizada no Euro 2024, a tecnologia voltou a ser decisiva neste embate entre Portugal e a Croácia, que se assumiu como o jogo mais visto da atual edição do torneio. Fora da esfera do futebol, sistemas análogos são utilizados há largos anos, como é o caso do Snickometer no críquete, introduzido nas transmissões oficiais em 1999 para detetar toques do batedor.

No decorrer do atual Campeonato do Mundo, o Connected Ball já tinha sido determinante noutro encontro, embora com menor mediatismo, durante a goleada da Suécia por 5-1. O quarto golo sueco, da autoria de Mattias Svanberg, foi inicialmente anulado por indicação de fora de jogo. Contudo, após revisão, o lance foi validado, uma vez que a tecnologia comprovou que Alexander Isak tinha tocado na bola antes desta chegar a Svanberg, colocando-o assim em posição legal.

Em relação à jogada polémica de Portugal, gerou-se também debate sobre se um desvio acidental do internacional português Renato Veiga, que isolou Pasalic, não deveria ter invalidado o fora de jogo. Eduardo Iturralde González, antigo árbitro internacional espanhol, esclareceu a situação em análise na rádio Carrusel Deportivo. “É um ressalto, não é um alívio com intenção. Para que esse toque do jogador português tivesse habilitado o jogador croata, tinha de ser um mau alívio. O que é um mau alívio? Se eu vir a bola, tentar controlar e a bola saia para trás. Isso é um mau alívio. Se eu me agacho e a bola bate nas costas e sobra para um adversário, isso não o habilita”, concluiu o especialista em arbitragem.

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