Pedro Barroso e o inferno da droga: “Acabava de gravar e ia buscar para consumir direto” e ainda “A cocaína era o meu medicamento”
O ator está a ser criticado pelos comportamentos instáveis na 1.ª Companhia, mas a sua história esconde uma luta dura. Pedro Barroso já admitiu que conduzia de Lisboa ao Porto só para consumir e que esteve "perto de desistir" da vida.
A participação de Pedro Barroso no reality show “1.ª Companhia” tem estado no centro da polémica, com vários comentadores da TVI, incluindo Adriano Silva Martins, a apontarem o dedo às oscilações de humor e às reações por vezes desproporcionais do ator.
No entanto, para compreender a complexidade emocional do recruta, é necessário recuar ao seu passado, marcado por uma dura batalha contra a dependência de drogas e álcool, um tema que o próprio já abordou publicamente com enorme coragem.
O ator, que cresceu numa estrutura familiar onde o pai esteve ausente “por circunstâncias da vida”, admitiu em entrevista a Daniel Oliveira, no “Alta Definição”, que desde cedo aprendeu a calar a dor para não entristecer a mãe: “Foram silêncios que foram pesando”, confessou na altura.
Esses silêncios acabaram por desembocar num escape destrutivo. Em 2018, durante as gravações da novela “A Herdeira”, Pedro Barroso atingiu o limite, utilizando a cocaína como forma de anestesiar os sentimentos.
“Os consumos ajudavam-me a não lidar com as emoções. Se pudesse trabalhar durante 24 horas, para mim ótimo, porque não tinha de lidar comigo”, revelou.
A situação tornou-se insustentável ao ponto de o ator ter de interromper o trabalho para se internar: “Quando estava a gravar a novela decidi entrar em tratamento (…) Depois de construir tanta coisa com carinho, estava a danificar tudo com o consumo de cocaína”, explicou, garantindo que esse mês de retiro lhe salvou a vida.
Mais tarde, numa conversa honesta com o Observador, Pedro Barroso detalhou a gravidade da sua dependência, descrevendo comportamentos compulsivos: “Acabava de gravar e ia buscar para consumir direto”, contou, admitindo que chegava a fazer viagens entre Lisboa e o Porto apenas com esse propósito.
Para o ator, a droga não era uma diversão, mas sim uma necessidade de sobrevivência emocional: “A cocaína era o meu medicamento, que me ajudava a suportar aquilo que era o meu vazio“.
Pedro Barroso também falou abertamente sobre o lado menos visível da recuperação: as recaídas. O ator confessou que teve uma recaída após nove meses limpo e que o combate contra o vício é diário: “A urgência de consumir pode não ser diária, mas o alerta está sempre lá”, avisou.
Embora o álcool tenha feito parte da sua vida desde os 13 anos, foi a cocaína que o levou ao abismo, chegando a ponderar o pior nos momentos de maior escuridão: “Houve uma altura em que eu estive muito próximo de desistir e essa altura não me quero esquecer (…) São momentos em que estás tão cansado de falhar que aquela parece a melhor opção”, desabafou.
Hoje, na “1.ª Companhia”, o público vê um homem em processo de reconstrução, que aprendeu a duras penas a lidar com as suas emoções, explicando talvez a intensidade com que vive cada momento no quartel.