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Pedro Chagas Freitas sai em defesa dos reality shows e arrasa falsos intelectuais

"A inteligência não é ler Proust nem ver o Big Brother": Pedro Chagas Freitas sem filtros

O escritor publicou uma carta aberta contundente a apontar o dedo a todos os que se sentem moralmente superiores por desligarem a televisão.

Pedro Chagas Freitas recorreu às suas redes sociais para partilhar um texto intitulado “Carta a quem pensa que é um ser superior porque não vê Reality Shows“. O autor dirigiu as suas palavras a quem exibe uma postura de desprezo e arrogância face às preferências do público deste tipo de produções.

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Sem rodeios, o escritor começou por caricaturar o orgulho desmedido de quem se gaba de ignorar as transmissões diárias: “Meu caro, não vês reality shows: parabéns. ‘Eu não vejo essas coisas.’ Quando o dizes, desdenhas, sorris. És o maior, é a tua pequena medalha“.

Contudo, alertou que o problema surge no momento em que a escolha pessoal se transforma em ataque gratuito: “O problema é quando começas a dizer: ‘Como é que alguém consegue gostar?’ Aí passas a juiz, a fascista do gosto. Não sejas assim. Quem te deu o direito de chamares burros às pessoas que gostam de coisas que tu achas estúpidas?“.

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Para provar que o saber e o lazer descomprometido coexistem sem qualquer choque, o autor recorreu à sua própria rotina, cruzando filósofos clássicos com os momentos mais polémicos do pequeno ecrã: “A inteligência não é ler Proust nem é ver o Big Brother. Ontem, depois de ler Séneca (…) fui ver a cadeira quente do Big Brother. Não vi, não vejo, contradição nenhuma nisso“.

Na sua visão, a capacidade crítica não se afere pela estante de livros, reforçando com pragmatismo: “O preconceito é burro. Às vezes quero refletir com Kierkegaard, outras vezes quero refletir com uma gala de expulsão de Domingo à noite. Conheço tantos que leram os clássicos e são uns imbecis; conheço tantos que veem reality shows e são monumentos de lucidez“.

O escritor salientou ainda que o fascínio pelo comportamento humano e pelas histórias alheias é intemporal, existindo desde o nascimento da dramaturgia antiga: “Podes criticar, deves criticar (…) mas não te coloques no patamar do mais inteligente da tua rua só porque o resto da rua vê programas que tu achas que são lixo“.

Para fundamentar a ideia, explicou que a curiosidade é inerente à nossa própria espécie: “E anota aí: desde sempre, o humano gosta de saber da vida dos outros: queremos saber quem ama quem, quem odeia quem, quem traiu, quem mentiu, quem chorou. Os gregos chamavam tragédia a isto; nós chamamos prime time“.

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A concluir a mensagem, o autor sublinhou a plena liberdade individual de escolha, deixando um repto final para que ninguém defina o seu valor com base naquilo que simplesmente decide ignorar no televisor: “Meu caro, não vejas reality shows: desliga, lê, passeia, ouve Bach (…) Mas se puderes faz-me um favor: não acredites que aquilo que não vês é aquilo que és“.

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