Renato Seabra completou 36 anos no passado dia 10 de setembro, data que coincidiu com a divulgação de uma nova fotografia sua em exclusivo pelo DIOGUINHO [aqui] captada na prisão norte-americana onde cumpre pena.
No programa ‘V+ Fama’, apresentado por Adriano Silva Martins, Filomena Cardinale foi convidada a comentar a imagem. A relações-públicas, que mantinha uma amizade próxima com Carlos Castro, não escondeu o choque ao ver o aspeto atual do homem condenado pelo homicídio do cronista social.
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«Fiquei em choque quando vi a fotografia, em choque completamente», admitiu Filomena Cardinale. «Também sou mãe e sinto que são duas vidas que se perderam, uma de uma maneira, outra de outra. É muito triste, é muito triste. Fica completamente em choque. Nunca imaginei, não é que pensasse nisso, obviamente, mas senti. Perderam-se duas vidas».
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A amizade de Filomena com Carlos Castro vinha de longe, com raízes em Angola. Filomena Cardinale contou que Carlos era afilhado de guerra da sua mãe, uma artista que, como muitas na época, apadrinhava militares em África. «Eu tenho fotografias do Carlos militar, jovem», lembrou, descrevendo a troca de correspondência entre Carlos e a sua mãe. O primeiro encontro entre os dois deu-se quando Filomena tinha apenas 14 ou 15 anos, num colégio, e a partir daí, a ligação manteve-se inabalável, tornando-se uma amizade «familiar, de casa», como a descreveu.
Carlos Castro, que regressara de Angola sem nada, como muitos ‘retornados’ da época – uma realidade que Filomena considerou «trágica» e «esquecida» em Portugal – encontrou no espetáculo uma nova vida. Foi Filomena quem revelou que o cronista começou a fazer espetáculos de travesti, interpretando canções da sua mãe, um momento que a deixou cheia de alegria.
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Mais tarde, a própria Filomena deu a sua primeira entrevista à ‘Nova Gente’ aos 17 anos, com o sonho de ser artista, um momento que guardou com carinho: «Foram 5 ou 6 páginas». Carlos já era então uma figura regular na revista, assinando a famosa coluna de fofocas ‘Zariguidum’. A ligação entre os dois era tão forte que até o casamento de Filomena mereceu destaque na mesma publicação.
A emoção adensou-se quando Filomena Cardinale partilhou um detalhe inédito sobre os dias que antecederam a morte de Carlos Castro. «Eu fui, entre aspas, a culpada do Carlos ter ido para Nova Iorque para o relato», confessou. Explicou que Carlos estava doente e cansado para viajar, e foi ela quem lhe recomendou o seu médico. «Ele foi ao médico, melhorou, e foi para Nova Iorque. Ainda hoje eu penso que fiz mal em o ter levado ao médico».
Isabel Figueira, que também participava no painel, tentou confortá-la: «Filomena, não pode viver com essa culpa, por amor de Deus». Mas Filomena atirou: «Não, não, Isabel querida, não é culpa, é aquelas coincidências da vida». Adriano Silva Martins acrescentou que, embora inevitável, seria um pensamento recorrente. Filomena confirmou, lembrando que Carlos até escreveu uma crónica sobre o ‘médico do povo’ que o restabeleceu.
Questionada por Adriano Silva Martins sobre a recente discussão pública em torno do assassinato e de possíveis ‘novas oportunidades’ para Renato Seabra, ou a ideia de que teria sido ’embabadado pela fama’ por Carlos Castro, Filomena Cardinale foi taxativa. Deixou claro que, embora não acompanhe de perto as redes sociais, «Eu não vi nada a não ser o que me chegou através das redes sociais. Como sabes, eu não estou muito em Lisboa, mas mesmo que estivesse Não queria ver», considera que «já chega para a família do Carlos, que ainda há pessoas, irmãs, para os amigos. É muito doloroso ver isto, é muito doloroso ver aquelas imagens no hotel, e realmente eu acho que chega».
Sobre a busca por fama, a relações-públicas atirou: «Ele, como muitos e como muita gente, homens e mulheres, querem chegar longe e às vezes servem-se de tudo para ir longe. E esse longe nunca é longe, é sempre perto. É sempre, a maioria das vezes, trágico, de uma forma ou de outra. Não desta forma, mas de outras». Para Filomena, o caminho para o sucesso deve ser feito pelo talento e trabalho, e não por ‘outras coisas’ que, segundo ela, «aconteceu toda a vida e continua a acontecer».
«Ninguém foi enganado», garantiu Filomena, referindo-se à natureza da relação entre Carlos Castro e Renato Seabra. Sublinhou que ambos tinham plena consciência da dinâmica entre eles: «Obviamente, como o Carlos sabia. Ninguém, ninguém foi enganado». A relações-públicas concluiu com um misto de saudade e tristeza: «Não sinto raiva, não sinto nada, sinto saudades do meu amigo. E muita pena tudo o que aconteceu a um e ao outro, porque eu também sou mãe e consigo compreender aquela dor».
O testemunho de Filomena Cardinale deixou o painel visivelmente emocionado, com Isabel Figueira a sublinhar o impacto do crime na vida daqueles que, como Filomena, o viveram de perto.