Políticos, psicólogos e artistas unem-se contra Cristina Ferreira
Carta aberta enviada à Ordem dos Psicólogos exige responsabilidade aos media
Um documento assinado por investigadores, advogados e figuras da cultura critica duramente a forma como a criminalidade é tratada como “entretenimento fácil” e exige o fim da desinformação em espaços de opinião televisivos.
As recentes declarações de Cristina Ferreira sobre o caso de violação de uma adolescente de 16 anos, continuam a gerar repercussões profundas na sociedade civil e desta vez, o descontentamento foi formalizado através de uma carta aberta enviada à comunicação social e à Ordem dos Psicólogos Portugueses, subscrita por mais de uma centena de personalidades de diversas áreas.
O documento, intitulado “A violação não é matéria de opinião”, reúne assinaturas de peso como os políticos Joana Mortágua, Francisco Louçã e Catarina Martins, a psicóloga Marta Crawford, a atriz Joana Seixas e a ativista Francisca De Magalhães Barros, além do influenciador Kiko is Hot, um dos primeiros a manifestar-se publicamente sobre o tema.
Os signatários manifestam um repúdio absoluto pelo teor do debate ocorrido no programa matinal da TVI, alertando para o que consideram ser uma perigosa banalização da violência de género.
Na missiva, sublinha-se que a violência é uma escolha consciente dos agressores e que homens e rapazes têm plena noção de quando estão a cometer um ato violento e, o grupo defende que o espaço de opinião mediático tem sido frequentemente transformado num espaço de desinformação, onde histórias de vida reais são dissecadas com uma ligeireza comparável à de personagens de ficção, ignorando o impacto psicológico devastador que tais comentários têm nas vítimas.
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A reflexão proposta na carta vai além das palavras individuais da apresentadora, visando a própria estrutura dos programas da manhã.
O manifesto critica o “voyeurismo matinal” em torno da criminalidade, onde a dor alheia é convertida em entretenimento fácil e audiências rápidas e, para os subscritores, é urgente que as estações de televisão passem a privilegiar profissionais qualificados e especialistas em violência sexual, em detrimento de comentadores que promovam visões machistas ou desatualizadas sobre o consentimento.
Entre as principais exigências do documento está o fim do uso de eufemismos como “sexo sem consentimento“, reforçando que tais termos servem apenas para suavizar a gravidade dos crimes.
O grupo de intelectuais, investigadores e artistas apela a uma mudança de paradigma na forma como o crime é tratado no audiovisual português, exigindo que a responsabilidade ética dos media prevaleça sobre a busca pelo espetáculo, garantindo o respeito pela dignidade das vítimas e o combate firme à cultura de desculpabilização dos agressores.
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