Num texto emotivo e crítico, a comunicadora sublinhou que a verdadeira defesa da vida exige acompanhamento social contínuo e não apenas palavras durante a gestação.
As intensas discussões em torno da interrupção voluntária da gravidez levaram Tânia Laranjo a partilhar uma reflexão detalhada nas plataformas digitais. Atenta à atualidade e aos temas que marcam a agenda pública, a jornalista da CMTV questionou os rótulos frequentemente utilizados no debate e chamou a atenção para o abandono a que muitas mulheres são votadas após o parto.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
Leia também: Pedro Jorge elege potencial vencedor do «Big Brother Verão»: “Beijinho no ombro para o resto”
“Nos últimos dias ouvimos até à exaustão a expressão ‘pró-aborto’. Quem é, exatamente, pró-aborto? Há alguém a acordar de manhã a pensar: ‘Que bom, hoje talvez consiga convencer alguém a interromper uma gravidez’? Ou será que ‘pró-aborto’ é, muitas vezes, uma maneira bastante cómoda de transformar uma decisão difícil numa caricatura?“, começou por interpelar no seu texto.
Assumindo-se defensora da vida, a jornalista fez questão de clarificar a abrangência e as exigências éticas dessa postura perante a realidade social. “Eu sou pró-vida. Mas isso, para mim, tem uma consequência incómoda: tenho de ser pró-vida também quando a vida ainda não cabe numa ecografia. Tenho de ser pró-vida quando a mãe não tem dinheiro. Quando não tem casa. Quando está sozinha. Quando tem medo. Quando a gravidez resulta de violência. Quando já tem dois filhos e mal consegue alimentar os três. Quando não tem creche. Quando não tem apoio psicológico. Quando não tem família. Quando o pai desapareceu. Quando toda a gente lhe diz ‘tenha o bebé’ e depois, curiosamente, toda a gente desaparece no preciso momento em que é preciso pagar a fralda“, salientou.
Leia também: Sara Norte desabafa sobre durante anos não se achar “digna de viver” após perda da irmã
A jornalista apontou ainda a discrepância entre a retórica política durante a gestação e o desamparo sentido pelas famílias no quotidiano pós-nascimento. “Nove meses dão para fazer discursos, cartazes, debates, slogans e vídeos emocionados. O problema é o mês dez. A renda continua a chegar. A criança continua a ter fome. A mãe continua a precisar de trabalhar. A creche continua a custar dinheiro. A depressão pós-parto está ali ao virar da esquina. E o Estado não pode aparecer nove meses depois com um ‘boa sorte, família tradicional’“, alertou.
A finalizar o desabafo, Tânia Laranjo apelou a uma visão mais abrangente e responsável sobre o apoio à maternidade em Portugal. “Se queremos falar de defesa da vida, então falemos da vida toda. Não apenas da vida que ainda não fala, não vota, não pede creche e não manda faturas. Talvez a verdadeira prova de coerência não seja perguntar à mulher se ela aceita levar a gravidez até ao fim. Talvez seja perguntar-lhe: ‘Se aceitares, nós estamos preparados para não te deixar sozinha?’. A resposta, essa, já sabemos qual é“, concluiu.
Ver esta publicação no Instagram