O processo 66/23.5SWLSB, julgado no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa e conhecido mediaticamente como o caso do “Uber da droga”, ao qual o DIOGUINHO teve acesso, culminou na condenação de uma rede de tráfico de estupefacientes.
No meio de dezenas de episódios observados, escutas telefónicas e buscas domiciliárias, o nome de Tiago Jaqueta surge na sentença de forma pontual, mas relevante. Tiago que se tornou conhecido pela polémica traição na lua de mel no programa “Casados à Primeira Vista” da SIC, é identificado no acórdão como utilizador numa transação de MDMA e como testemunha.
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A decisão, datada de 28 de maio de 2026, descreve uma estrutura organizada em torno de Nuno Ricardo Nogueira dos Santos e da sua mãe, Lucinda de Fátima Nogueira dos Santos. Segundo o tribunal, ambos começaram por atuar em conjunto, desde pelo menos agosto de 2023, na compra e venda de cocaína, MDMA, 2C-B, LSD e cetamina.
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Mais tarde, em julho de 2024, Leonel Nhaga passou a integrar a dinâmica, fazendo entregas diretas aos clientes e recebendo os pagamentos. O esquema contava com apoio logístico, usando a casa de Nuno, em Campolide, como centro operativo, e a residência de Lucinda, no Bairro do Armador, como espaço de recuo para guardar material.
A prova que sustentou a condenação incluiu relatórios de vigilância, apreensões e interceções telefónicas. A sentença sublinha que os contactos eram combinados por telefone ou mensagem de texto, com expressões como “bitolas”, “o normal”, “2 g’s” ou “a keta”, utilizadas para disfarçar referências a quantidades, tipos de substância e preços.
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É neste contexto que surge o antigo concorrente de televisão. O tribunal deu como provado que, a 28 de setembro de 2024, pelas 19h59, houve um encontro marcado por mensagem entre Nuno Santos e Tiago Jaqueta, destinado à aquisição de MDMA. O ex-concorrente deslocou-se à residência do líder da rede, entrou na habitação e saiu cerca de dez minutos depois, episódio que os juízes consideraram como uma compra efetiva de estupefaciente. A sentença volta a referi-lo na lista de clientes regulares a quem os arguidos entregaram drogas ao longo do período investigado.
Durante a audiência, Tiago Jaqueta prestou depoimento e a sua intervenção foi usada pelo tribunal para contextualizar a linguagem das escutas. O antigo concorrente referiu ter conhecido Nuno e a namorada deste, Maria Inês, numa festa há vários anos. Embora tenha admitido ser consumidor de ecstasy, negou ter adquirido produto ao principal arguido.
Contudo, quando confrontado com uma conversa telefónica, explicou que a palavra “bitola” correspondia a três comprimidos de ecstasy. Este esclarecimento revelou-se crucial para ajudar os juízes a interpretar o vocabulário codificado utilizado nas comunicações. A sentença não o acusa como arguido nem o condena; ele surge apenas como testemunha e utilizador/comprador referido na prova.
O desfecho do caso ditou penas pesadas para os principais visados. Nuno Santos foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão efetiva, enquanto Leonel Nhaga e Lucinda Santos receberam penas de quatro anos e meio e quatro anos e três meses, respetivamente, ambas suspensas por cinco anos, com regime de prova. Maria Inês Leitão foi absolvida do crime de tráfico, por falta de prova da sua participação dolosa.
Nas buscas realizadas, as autoridades apreenderam quantidades muito relevantes de droga e dinheiro. Nas residências dos arguidos em Lisboa e Odivelas foram encontrados centenas de comprimidos de MDMA, cocaína, cetamina, LSD, balanças de precisão, frascos de gamabutiro-lactona e dezenas de milhares de euros em numerário, confirmando a existência de uma atividade altamente organizada e orientada para a venda a terceiros.
QUEM É O TIAGO JAQUETA?
Tiago Jaqueta é um nome que ressoa com polémica nos corredores de Casados à Primeira Vista. O personal trainer de Sesimbra deixou uma marca indelével na SIC, primeiro com o divórcio turbulento de Dina Guedes, depois com um regresso que só adensou a controvérsia.
A sua estreia deu-se em 2022, na terceira edição do formato. Apresentado como um entusiasta do desporto, a sua união televisiva com Dina Guedes descambou rapidamente. O momento mais falado da temporada surgiu quando Tiago admitiu ter tido intimidade com outra mulher durante a lua de mel, em Cabo Verde.
A confissão atirou-o para o centro das atenções, moldando a perceção do público. Mais tarde, Tiago tentou enquadrar a traição como um engano, alegando que pensara que a experiência já tinha chegado ao fim. A explicação, porém, não travou a onda de críticas, e o episódio gravou-se como um dos mais embaraçosos do programa. A sua primeira aventura em Casados terminou sem cumprir o desígnio do formato: formar uma relação duradoura.
A SIC, contudo, voltou a apostar em Tiago Jaqueta em 2025, para a edição Segundas Núpcias. A expectativa era de uma redenção, de um concorrente mais ponderado. A realidade, uma vez mais, mostrou-se agitada. Tiago abandonou a experiência, confrontou especialistas e pretendentes, cimentando a ideia de que a sua presença no programa é, invariavelmente, sinónimo de tensão.
