VOZ dos reality shows da TVI homenageia Joaquim Letria: “Um jornalista a sério”
Carlos Moura sublinhou a exigência profissional do antigo assessor de Ramalho Eanes e fundador de títulos marcantes da imprensa portuguesa.

Carlos Moura recorreu às redes sociais para lamentar a morte de Joaquim Letria. A voz suplente nos reality shows da TVI recordou a experiência partilhada com o histórico comunicador, destacando o rigor com que sempre exerceu a profissão.
Numa publicação online, Carlos Moura escreveu: “Perdemos o Letria. Há cerca de dez anos, tive oportunidade de trabalhar e privar com ele, naquela que terá sido (creio) a sua última rubrica regular num programa de televisão. É estranho, quando consegues trabalhar com aquele senhor das notícias que marcou a tua infância e que, de repente, está ali, ao teu lado, a falar sobre os acontecimentos no mundo. O Joaquim Letria não queria saber de cliques, “page hits” ou de audiências. O Letria queria saber quem, quando, onde, como e porquê. O Letria era uma espécie cada vez mais rara: um jornalista a sério. E era por isso um dos maiores comunicadores, porque sabia pensar. Lembro-me dele divertido, atento, esperto, provocador. Deixa livros e o seu DNA em jornais, revistas e órgãos de comunicação. Era um cavalheiro, um observador e, para quem estivesse atento, um professor. Até sempre, Joaquim.”
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O percurso de Joaquim Letria confunde-se com a evolução do jornalismo audiovisual no país. Na televisão, assinou projetos marcantes como ‘Directíssimo’ e ‘Tal & Qual’, onde misturou a informação com o entretenimento num estilo pouco habitual no período pós-revolucionário. Em 1979, foi o responsável pela estreia dos ‘Apanhados’, introduzindo o uso de câmaras ocultas no pequeno ecrã. A passagem pela direção da RTP2 terminou em 1980, na sequência da vitória da Aliança Democrática nas urnas, episódio que levou também ao fecho do programa.
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A resposta surgiu de imediato na imprensa escrita. A 28 de junho de 1980, fundou o semanário ‘Tal & Qual’ em conjunto com Rocha Vieira, Ernâni Santos e Ramon Font, projeto com forte pendor popular que atingiu tiragens de 200 mil exemplares. Oito anos mais tarde, em 1988, idealizou e chefiou a revista de informação ‘Sábado‘.
A proximidade a António Ramalho Eanes vinha dos corredores da RTP desde 1974, ano em que o militar liderava os programas da estação.
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Mais tarde, Joaquim Letria assumiu as funções de porta-voz e assessor de comunicação em Belém durante o segundo mandato do Presidente da República. Pela mesma altura, esteve à frente do Sindicato dos Jornalistas e foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 1986, anos depois de vencer o Prémio da Imprensa relativo a 1974 pelo estilo vivo das emissões. Biografia completa aqui.