Gisela João faz pausa na carreira para doar medula óssea ao irmão diagnosticado com leucemia
A decisão da fadista esteve em destaque no programa 'V+ Fama', onde Isabel Figueira revelou que o doente já foi submetido a uma intervenção cirúrgica.
Gisela João decidiu interromper a atividade artística para doar medula óssea ao irmão, a quem foi diagnosticada uma leucemia.
A decisão da fadista esteve no centro da conversa na emissão de quinta-feira, 15 de outubro, do programa ‘V+ Fama’, conduzido por Adriano Silva Martins, que contou com as reações de Isabel Figueira, Guilherme Castelo Branco e António Leal e Silva.
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Ao abrir o tema, o apresentador contextualizou a situação clínica e a escolha da artista: “Gisela João também nos surpreendeu esta semana porque o irmão da Gisela está com leucemia e a Gisela vai, não é que vá deixar a carreira nem abandonar a carreira, mas vai doar a medula ao irmão e obviamente não vai estar aqui a 100%, vai centrar-se também em ajudar este irmão”.
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Isabel Figueira detalhou a dinâmica familiar perante a descoberta da doença e sublinhou a raridade do desfecho dos testes médicos. “Foi uma notícia que deve ter abalado, como é óbvio, a família toda. Fizeram todos análises, nomeadamente a Gisela, para perceber se tinha compatibilidade com o irmão. Graças a Deus tem compatibilidade. Isto não é algo que é muito certo, nem todos os irmãos têm compatibilidade de medula para poderem doar”, explicou a comentadora.
Guilherme Castelo Branco interveio para frisar o dado numérico: “Eram seis irmãos, só um é que é. Por aí vê-se logo”.
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A comentadora retomou a palavra para vincar a importância da mensagem pública deixada pela cantora, expressando votos positivos para a recuperação do doente. “A Gisela faz aqui também um apelo que eu acho que é extremamente importante, falar deste tema e sensibilizar os portugueses a fazerem este género de exames e poderem doar, porque realmente podem salvar muitas vidas. Aqui não é uma pausa na carreira, é sem dúvida uma pausa curta, esperamos nós, e feliz, em que tem esta paragem para doar ao irmão e poder ajudá-lo a recuperar-se. Sei que já foi operado, não temos mais notícias sobre isso, mas é um momento delicado em que desejamos à Gisela, ao irmão e a toda a família uma grande recuperação”, referiu.
Adriano Silva Martins descreveu a fadista como “uma mulher de coragem e de amor profundo à família”, afirmação secundada de imediato por António Leal e Silva.
“É tirar o chapéu e aplaudir. É uma atitude nobre, bonita. Não esperava outra coisa. É assim que se espera de dois irmãos, dos irmãos da família, em interajuda”, começou por dizer António Leal e Silva, visivelmente emocionado com o caso. O comentador partilhou ainda a sua própria vivência para ilustrar o choque provocado por este tipo de diagnóstico: “Fico sem palavras com este tipo de atitudes, porque acho que é de uma generosidade enorme. Num mundo em que cada vez as pessoas são mais egoístas e estão sempre a olhar para os outros, esta querida olhou para o irmão. Isto é uma doença complexa. Só quem passou ou quem teve familiares próximos, e eu tive e sei do que estou a falar, é que pode entender a bomba que é quando isto cai no seio de uma família”.
O debate prosseguiu com a chamada de atenção para a necessidade de alargar a base de dadores em Portugal. Adriano Silva Martins lembrou que a artista quis “dar voz a esta causa”, ponto que Guilherme Castelo Branco desenvolveu ao admitir a sua própria identificação pessoal com a dor da família.
“Ela percebe o problema que seria, porque certamente deve ter pensado na hipótese de nenhum dos irmãos ser compatível. Podia acontecer. Mexe um bocado com a minha parte emocional, porque aconteceu uma coisa parecida na minha família. Quando sentimos que uma pessoa da nossa família está a passar por isto, acho que há poucas coisas que nós não fazemos para salvar a vida de uma pessoa”, desabafou Guilherme Castelo Branco.
António Leal e Silva interveio para recordar que a necessidade ultrapassa os laços de sangue: “Há outras pessoas que estão a atravessar esse problema e a família não é compatível”.
Concordando com o colega de painel, Guilherme Castelo Branco rematou a conversa com um apelo à entreajuda e à valorização do quotidiano: “Há pessoas que vão fazer o teste, veem que para a pessoa da família não são compatíveis, mas doam na mesma porque sabem que vão salvar alguém. Ela está a dar voz a isto, que é muito importante. A todos nós nos pode calhar, não interessa o estrato social, não interessa o dinheiro, não interessa onde nascemos. Às vezes estamos tão focados em algum objetivo que queremos atingir, mas não se esqueçam de viver, não se esqueçam de acompanhar as pessoas da vossa família, e se puderem ajudar o próximo, façam”.