Harry e Meghan Markle estiveram esta quinta-feira, 15 de outubro, em Nottingham, naquele que foi o primeiro ato público conjunto dos dois desde o regresso a Inglaterra.
O casal, que procura recuperar a ligação ao público britânico seis anos depois de ter abandonado os deveres oficiais da monarquia, foi recebido com entusiasmo por centenas de pessoas, entre as quais muitas crianças.
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A chegada ao Community Recording Studio, no centro do país, ficou marcada por aplausos e euforia mal a viatura parou. No meio dos festejos, uma mulher fez-se ouvir: “Nós amamo-la, duquesa Meghan! Nós amamo-la!”. Com um casaco comprido cor de vinho, Meghan juntou-se ao marido para cumprimentar os presentes, distribuir abraços e tirar fotografias com os mais novos, passando vários minutos em conversa informal com a multidão.
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O espaço escolhido utiliza a música, o desporto e a representação para dar ferramentas e autoconfiança a jovens. A paragem abre um roteiro de três compromissos na mesma localidade onde, logo a seguir ao anúncio de noivado em 2017, os dois tinham feito a primeira aparição, enquanto casal.
Apesar de a visita ter sido acompanhada por um grupo restrito de jornalistas e de a comunicação oficial ter recorrido aos títulos de Duque e Duquesa de Sussex, o Palácio quis delimitar o terreno. Carlos III deixou vincado que o filho e a nora continuam fora das funções oficiais da Coroa, mantendo exatamente o estatuto acordado quando trocaram o Reino Unido pela Califórnia.
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Numa missiva dirigida a altos responsáveis do governo, enviada em nome do monarca logo após a chegada de Harry e Meghan em setembro, ficou estabelecido que nenhum dos dois voltará a utilizar o tratamento de “Sua Alteza Real”. O documento frisou ainda que qualquer iniciativa de beneficência será realizada apenas a título particular.
A divulgação pública dessa mesma carta expôs o receio de elementos da corte quanto ao risco de uma agenda paralela dos duques, suscetível de disputar as atenções mediáticas com os Príncipes de Gales e restantes membros no ativo. A fundação Archewell, que concentrou grande parte do trabalho nos Estados Unidos, quase não foi tema no arranque da visita.
O itinerário inclui passagens pela Himmah, o maior banco alimentar da região central inglesa, e pela Epic Partners, entidade dedicada à mentoria e formação de jovens desfavorecidos. A ligação de Harry ao estúdio comunitário e à Epic Partners tem mais de uma década, ao passo que Meghan colaborou com a Himmah em 2018 na edição da obra ‘Together: Our Community Cookbook’.
A rutura formal com a monarquia aconteceu há mais de seis anos, justificada pela procura de autonomia financeira que culminou em contratos avultados com a Netflix e o Spotify. A separação gerou um forte desgaste familiar, alimentado por queixas sobre a falta de apoio à saúde mental de Meghan, alegações de racismo e acusações de manobras de bastidores na imprensa britânica.
O clima começou a suavizar-se recentemente. Harry manifestou vontade de reaproximação ao pai para que os netos pudessem conviver com o avô, de 77 anos, diagnosticado com um cancro em 2024 e ainda em tratamento médico.
A família está instalada numa propriedade privada em Cotswolds, zona rural a oeste de Oxford, sem ligações ao património real. Ao lado dos pais estão Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5.
Ainda assim, a nova rotina decorre sob forte tensão. Harry não desarma no pedido de segurança policial suportada pelos cofres públicos, proteção que perdeu com a renúncia às funções reais e que considera indispensável perante as ameaças que diz enfrentar.
O problema fez-se sentir de imediato no arranque do ano letivo, com as duas crianças a terem de mudar de colégio pouco depois das primeiras aulas por motivos de segurança.