O programa V+ Fama analisou as recentes declarações de Elma Aveiro à TVI e à CNN Portugal sobre a polémica que envolve o irmão, Cristiano Ronaldo, e o selecionador nacional, Jorge Jesus.
O apresentador Adriano Silva Martins introduziu o tema: “Elma Aveiro abandonou as redes sociais para se pronunciar de forma oficial e pela primeira vez sobre o escândalo que envolve Cristiano Ronaldo e a nossa Seleção Nacional de Futebol. Elma vê o regresso do irmão mal parado à Seleção. Foram estas as declarações que deu à informação da TVI e da CNN Portugal. Ora veja.”
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Nas imagens transmitidas, a empresária madeirense lamentou o momento atual: “Muito complicado ver o meu irmão passar por isto, porque ele, das pessoas que menos merecia, era o meu irmão.” Questionada pelo repórter sobre a vontade e a possibilidade de o avançado regressar à equipa das quinas, respondeu que acha que não e acrescentou: “Está mais que não do que sim. Ele disse porque tinha que dizer alguma coisa, mas o pensar é outro. Porque acho que são homens magoados. Isso foi uma situação que foram eles que viveram, não fui eu. Eu falo pelo meu irmão. E acho que está uma situação ali estancada. Vamos ver o que é que vai dar. A gente quando somos traídos, depois para voltar ao normal é complicado.” Confrontada sobre se considera que o próprio Jorge Jesus esteve mal com o jogador, Elma Aveiro rematou: “Então vocês não viram as coisas como é que foi? Acho que foi uma traição entre eles. O meu irmão ultrapassa sempre as coisas porque é grande.”
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Após as imagens, Adriano Silva Martins elogiou a postura da irmã do futebolista: “oxalá ela fosse assim contida sempre, porque nas redes sociais é com cada tiro. E aqui esteve bem, eu considero que aqui esteve muito bem.”
Isabel Figueira concordou com a avaliação do apresentador e apelou à gratidão pelo percurso do atleta: “As declarações dela até foram simpáticas dentro daquilo que poderia ser e daquilo que ela realmente possa achar relativamente a este caso. Acho que qualquer familiar do Cristiano sente as coisas de maneira diferente de nós, que podemos ter pelo menos uma imparcialidade um bocadinho maior. O caso não é um caso fácil. Também acho que não é justo alguém que teve um percurso formidável e que elevou o nome de Portugal e que também elevou o nome de Portugal além-fronteiras terminar uma carreira desta maneira. Acho que todos nós também queremos ver, tal como Messi, ver o Cristiano Ronaldo a terminar em grande.”
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Após António Leal e Silva intervir para dizer que “ele merece isso”, a comentadora prosseguiu: “Merece também o nosso obrigado, merece a nossa gratidão. E que a Elma foi justa naquilo que acha, naquilo que pensa, foi simpática. Para ela é uma traição. Também não quis alongar muito mais porque pode haver aqui uma volta do irmão à seleção, e qualquer palavra que possa ser dita agora é chato se ele realmente voltar e terminar.”
Perante o reparo de Cláudia Jacques de que “ela diz que está mais para não do que para sim”, Isabel Figueira completou o seu raciocínio: “O que eu acho é que da maneira como foi, independentemente, o irmão até pode, o Cristiano até pode ultrapassar e terminar a sua carreira ali em grande. Se é difícil, eu acho que é, pela maneira como saiu, pelas notícias que estão cá fora. Se é possível ele sair de vez, também é. Se é possível voltar, também. Eu acho que o tempo vai nos dar estas respostas todas que nós também queremos. Acho que nós queríamos e queremos todos ver o Cristiano pelo menos a terminar a sua carreira em grande, com a gratidão que merece. Acho que nós às vezes somos um bocadinho injustos na maneira como, e às vezes a Cláudia diz que não. Não sei, acho que às vezes é um escrutínio tão grande e acho que temos que ser mais agradecidos a quem realmente fez um trabalho formidável.”
Adriano Silva Martins assegurou: “Mas acho que todos somos agradecidos e todos querem o melhor.”
Contudo, Cláudia Jacques adotou uma postura bastante crítica tanto em relação ao jogador como às palavras da irmã: “Mas não podemos ficar só presos ao passado, porque o presente existe e o que aconteceu foi agora. E uma coisa não impede a outra. A pessoa pode ter tido um passado fantástico, mas teve uma atitude reprovável agora. E da mesma maneira que tem que ser o Cristiano a decidir se quer voltar, o Jorge Jesus também tem que decidir se o quer de volta. Vamos só focar-nos no aspeto de se ele quer ou não? Estamos sempre a pôr o ónus no Cristiano. O Cristiano tem direito de sair quando quer, virar as costas, depois tem o direito de voltar quando quer, então e os outros, o que é que são? São os badamecos que andam ali e andam às ordens de Cristiano? Desculpa a minha franqueza. E a Elma, ok, falou com alguma contenção, dado aquilo que estamos habituados a ver quando ela escreve nas redes sociais. Ainda bem que teve essa contenção, porque senão prejudica cada vez mais a imagem do irmão. Nota-se claramente que está em defesa do irmão, como sempre esteve.”
Após o apresentador notar que tal atitude é óbvia, Cláudia Jacques apontou contradições ao discurso da empresária: “É óbvio que a família vai sempre defender, e bem, porque é o papel da família, é tentar defender com os argumentos que pode. Também temos que ter cuidado, não cair totalmente no ridículo. Mas depois, como lhe fazem várias perguntas, ela não está bem preparada para manter a sua posição do princípio ao fim. Porque quando diz: ‘eu não estava lá, não fui eu que vivi essa situação, é com eles’. Mas depois diz: ‘eu vou falar e vou falar pelo meu irmão’.”
Adriano Silva Martins tentou contextualizar a frase: “Mas se está a falar, tem que falar por ela, não é pelo irmão. Eu acho que quando ela diz ‘vou falar pelo meu irmão’, eu acho que ela está-se a referir ao sentimento de irmã, não que está a falar pela boca do irmão. Está bem, certo, sim.”
A nortenha, manteve a crítica à construção frásica da madeirense: “Mas é que eu penso: ‘eu, como irmã do Cristiano Ronaldo, o que eu penso do meu irmão é isto’. Dizer ‘eu vou falar pelo Cristiano Ronaldo’ é um problema de português, mas que confunde dizer ‘eu vou falar pelo meu irmão’.” O anfitrião concordou que “tem razão naquilo que está a dizer”, e a comentadora acrescentou: “Significa que alguém nos deu um recadinho e que nós vamos transmitir.”
António Leal e Silva interveio para referir que “foi um problema de português”, ao que Adriano Silva Martins comentou: “Elas têm muitas vezes esse problema de português.” Cláudia Jacques sublinhou as consequências dessas falhas: “Acho que o problema de português faz uma má comunicação e uma má comunicação gera mais confusões.”
Perante a concordância do apresentador, que ainda assim questionou se Elma não teria querido dizer outra coisa, a comentadora insistiu: “Estamos a comentar o discurso dela. Também acho que é uma coisa, mas que disse, disse. Disse de uma maneira errada aquilo que queria dizer. Estamos a comentar que foi mais contida no sentido, não seja eu uma formada em letras, disse que realmente foi mais contida, não usou palavrões nem expressões mais grosseiras. Ainda assim não se soube explicar, expressar muito bem, porque diz-se e desdiz-se. Agora, fez o papel de uma irmã, é aquilo que estávamos a dizer. Acho que até quanto menos falasse, melhor lhe ficava. Eu acho que até devia ter falado menos ainda, porque qualquer coisa que diga agora era aquilo que estavas também tu a dizer, não é? Que possa depois ele querer voltar, as pessoas depois ficam cativas do que disseram. Algumas, outras não, não suportam nada, dizem hoje e amanhã fazem o contrário.”
Adriano Silva Martins relativizou o impacto da entrevista face à postura recente do próprio futebolista: “Agora, eu acho que temos também de pôr aqui as coisas no seu devido lugar. Com tudo aquilo que já se disse, com aquilo que o Cristiano de própria mão, porque enviou um comunicado, disse, eu acho que estas declarações são um bocadinho inofensivas. Ou seja, primeiro é ela, mas não é o Cristiano que o diz. Depois, acho, como tu disseste e como a Isabel também disse, bastante contida dentro daquilo que é habitual nela.” Cláudia Jacques contrapôs: “Mas o Cristiano não pôs fora de hipótese voltar. Aquilo que apelou foi a que seja solucionado de qualquer jeito.” O apresentador lembrou a dureza da carta aberta do avançado: “Mas os mísseis que enviou para a seleção e para o Jorge Jesus foram mísseis muito certeiros. E não sei se não são muito mais fortes do que estas declarações da Elma, que diz, ok, no seu entender, que é uma traição e que é muito difícil voltar-se a confiar quando há uma traição.”
A comentadora reiterou a diferença de perspetivas sobre a decisão técnica do selecionador: “Pronto, e há uns que não veem isto como uma traição, que veem isto como uma estratégia de jogo e que não está em questão o estar com o irmão. Então é a opinião da Elma. Para ela isto é uma traição porque vai corroborar com aquilo que o irmão pensa ou sente. Agora quem ouve pode concordar ou não. Uns veem como uma traição, outros não. Outros veem como uma decisão de um selecionador num jogo em que está a correr bem e que achou que estar a interromper o jogo para meter um elemento não era necessário.”
Por fim, António Leal e Silva saiu em defesa da autenticidade de Elma Aveiro: “Sobre o Cristiano Ronaldo, nem nada mais tenho a acrescentar, porque já estou aqui todos os dias, já falámos disto muitas vezes. Isso mesmo, já falámos e falámos e dissemos e já comentámos. Em relação à Elma, eu estou totalmente em solidariedade com a Elma. Acho que a Elma esteve muito bem, acho que as declarações foram interessantes, até acrescentam um bocadinho, porque ela acaba por dizer que ela, enquanto irmã, e eu percebi o que a Cláudia disse, mas aqui há um problema de português, o que ela quer dizer é: ‘eu só posso falar enquanto irmã, e enquanto irmã eu acho que ele não volta’. Pronto, a Elma tem uma forma de falar muito própria, e eu acho às vezes até de mau gosto, não estou a dizer que tenha sido aqui, estou a falar de forma generalizada, aquelas críticas que eu oiço… Ela nunca teve pretensões a ser licenciada, nem doutorada em coisa nenhuma. É uma mulher que fala com verdade, com autenticidade e com o coração. E fala da boca para fora, sem filtros. Se funciona, se não funciona, é um problema dela. Pelo menos tem uma coisa que eu gosto: não é pretensiosa nem pseudointelectual. Que eu acho isso maravilhoso, que é o que há mais por aí, é gente pretensiosa armada ao pingarelho.”
O comentador continuou a elogiar a genuinidade da empresária e deu a sua opinião sobre o desfecho da crise na Seleção Nacional: “E ela não se arma. Ela é Elma, é Elma Aveiro. ‘Aveiro é aquilo que eu sou, é aquilo que vocês veem e é o que é’, certo? Engana-se, dá umas gafes, não disse bem. Aqui acho que ela foi contida, sim, não se esticou em demasia, abriu umas portas a explicar, que eu por acaso concordo também com ela. Não tenho que concordar ou estar em desacordo, não sou nada tido no assunto, mas pronto. Eu acho que ele não volta, é a minha opinião, porque ele para voltar não tinha feito aquele comunicado. Bom, se agora isto é uma longa conversa, nunca mais daqui saímos e não vale a pena que já estamos fartos de falar. Acho que ela esteve bem, foi a Elma a ser Elma e nós temos que deixar a Elma ser Elma. Porque no dia em que a Elma não queira ser a Elma e queira ser outra pessoa, vai perder a sua essência. A Elma é assim, diz, fala, sente, manda para fora. É assim que ela funciona e acho que funciona bem. Quem não gosta, temos pena.”
Para encerrar o tema, António Leal e Silva recordou um episódio passado para ilustrar a personalidade da irmã do jogador: “Olha lá, eu vejo isso numa coisa que eu adorei nos Globos de Ouro, para os que criticam com essas coisinhas. Graças a Deus não tenho que me meter com ela. Ela ia com um vestido amarelo, acho que era amarelo, que eu nunca mais me esqueço. E disseram: ‘ai, o seu vestido é muito bonito, quem é que lhe disse que é especial?’. Disse: ‘olha, eu ia na rua, olhei, gostei, podia comprar, comprei, e a mim tudo me fica bem’.”
Após Adriano Silva Martins reagir com um “pronto, está tudo dito”, o comentador concluiu: “É isso com que eu defino a Elma. ‘Eu ia na rua, olhei, gostei, podia comprar, comprei, e a mim tudo me fica bem’. E ela tem razão.”