Yasy, filha do conhecido cantor Melão, abriu o livro sobre o seu percurso musical numa conversa com Helena Beck e Tiago Pereira no ‘Curto Circuito’.
Aos 19 anos, a artista não esconde as dificuldades e os sacrifícios que faz para singrar no mundo da música, incluindo ter de trabalhar em áreas completamente distintas para financiar o seu sonho.
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A música acompanha Yasy desde sempre, uma herança natural do pai. No entanto, Melão não foi um incentivador direto. Pelo contrário, alertou a filha para a dureza do meio: “Não vás, não faças isso, é um mundo de cão, é muito difícil, é um mundo com várias controvérsias, duro”. A artista conta que o pai não apoiava de forma ativa a ideia, deixando claro que a decisão de seguir este caminho seria apenas dela.
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O bichinho da música acabou por surgir na igreja, onde a mãe de Yasy, que é cristã, a levou a cantar no coro. Foi ali que aprendeu e descobriu a sua paixão. Hoje, Yasy mantém a sua fé, mas com uma visão mais pessoal: “Acredito que a igreja não é um espaço físico, a igreja és tu”.
Apesar da ligação familiar, Yasy e o pai não falam muito de trabalho. “Não dá muito certo”, explica a cantora, devido às diferenças de estilo, ideologias e, sobretudo, de gerações. O conselho mais valioso de Melão, garante, é simples: “ser feliz. Faz coisas que te façam feliz”.
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No entanto, a pressão por ser filha de quem é existe. “Há sempre aquela pressão, né? Tu no mínimo não podes desafinar, senão é muito mau”, admite Yasy, ciente de que as críticas são uma parte inevitável do percurso.
Aos 19 anos, Yasy descreve a música como a sua versão mais desafiante. Apesar de ser o que mais ama fazer, o nervosismo acompanha-a antes de cada entrada em palco. “É o que eu mais amo fazer, mas tem sempre aquele ónus de, meu Deus, e se eu não estiver à altura?”, confessa, descrevendo a tradicional vontade de ir à casa de banho antes de atuar. Mas assim que pisa o palco, tudo desaparece: “No segundo em que tu entras, tudo aquilo que tu tinhas na cabeça passa completamente”. É ali que se sente mais feliz.
A artista tem atuado mais no Brasil do que em Portugal, onde o público “abraça muito a minha cena”. A sua identidade musical é um trabalho em progresso: “Ainda estou à procura do meu caminho, ainda estou à procura da minha identidade musical”. Canta pop, funk e funk pop, explorando géneros para perceber o que o público prefere. Yasy assume-se eclética, fazendo as músicas que ela própria gosta de ouvir, tanto em português de Portugal como em português do Brasil, as línguas que mais escuta.
Para além do funk, Yasy tem baladas e sertanejo para lançar, incluindo várias músicas em português de Portugal e colaborações.
O seu sexto single, ‘Solteira’, nasceu de uma fase pessoal. “Foi um tema feito quando eu estava solteira, que já não estou, mas…”, revela. A cantora vê as suas músicas como um diário das fases que vive, onde outros se podem identificar. ‘Solteira’ é dedicada “àquela malta que sente que está bem sozinho e que tem o passado a visitar-lhe a todo o momento, mas que sente que é melhor estar sozinho. É melhor aproveitar a sexta-feira sozinho do que mal acompanhado”.
A música serve-lhe como um “desabafo”. “Quando eu vejo que a minha dor, alguma coisa que eu passei, resultou numa música que eu gosto, eu automaticamente deixo de ficar triste”, conta. É o seu “combustível de felicidade”.
Yasy mantém um ritmo de trabalho intenso. Este ano, o seu projeto passa por lançar uma música a cada duas semanas. Para o ano, um EP ou álbum estão nos planos. O desafio é grande, já que a maioria dos lançamentos inclui um videoclipe, algo que a deixa “a dar em louca”. Conta com a ajuda do Andrés para concretizar as suas ideias, convicta de que “se tu trabalhares e acreditares, vais lá”.
A par da música, Yasy não hesita em arregaçar as mangas. Aos fins de semana, trabalha num café e, noutros dias, numa agência imobiliária, onde vende casas. No Brasil, antes de regressar a Portugal há cerca de um mês e meio, também fazia shows, mas trabalhava na ‘Feira da Madrugada’, um mercado onde se vendem produtos de madrugada, exigindo sair de casa às três da manhã.
A razão para o seu regresso a Portugal prende-se com uma apendicite que a fez repensar estar sozinha no Brasil, além de querer estar mais perto do namorado, que é brasileiro e joga futebol em Portugal. Yasy assume a sua dupla nacionalidade e a sua “verdade” de cantar em português do Brasil, uma língua que faz parte do seu dia a dia e da sua educação, com mãe brasileira e pai português. No entanto, garante que os fãs podem esperar novidades em português de Portugal.
Sobre as suas referências, Yasy destaca Anitta, que a mãe dançava antes de ser cristã e de vir para Portugal para atuar com Iran Costa. Beyoncé é uma “grande referência de diva pop”, pela sua imagem, musicalidade e presença. Ludmilla também a inspira, em particular pelo projeto ‘Numanice’ e pelo uso de melismas e ‘ad-libs’ na voz, uma característica que Yasy incorporou.
Apesar dos desafios, Yasy não tem receio de admitir os seus trabalhos paralelos: “Tenho que pagar os meus videoclipes, eu tenho que pagar as coisas que faço. Então acho que não há mal nenhum, trabalho para ir pagando, para ir investindo no meu sonho”. A interação com o público é gratificante. Quando a reconhecem no café, a artista adora: “É muito giro. E eu adoro receber o amor das pessoas e retribuí-lo. Para mim é a coisa mais gratificante que existe”.