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Zé Gouveia reprova humor de Joana Marques sobre Mafalda Matos na CMTV

"O humor não deve causar dor": Zé Gouveia analisa limites da comédia com Catarina Miranda

Zé Gouveia defendeu que temas sensíveis, como problemas de saúde, exigem cautela redobrada por parte dos comediantes para não causar dor aos visados.

O debate sobre os limites da comédia ganhou espaço na rubrica «Olá Miranda!», inserida no programa «Olá, Bom Dia!» desta sexta-feira, 31 de julho. Catarina Miranda recebeu Zé Gouveia e Ruben para refletir sobre a recente polémica que envolve a humorista Joana Marques e a atriz Mafalda Matos, a propósito da abordagem do diagnóstico de autismo.

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A apresentadora abriu o debate destacando a pertinência do tema: “O debate voltou a ganhar força com o caso Joana Marques (…) Mas afinal, quem é que decide onde acaba a liberdade de fazer rir? Aí começa a ofensa. E sobre isso, é sobre isso que vamos falar hoje aqui no Hola Miranda“, explicou. Catarina Miranda assumiu-se fã da humorista, admitindo que já foi visada e que “a gente não se pode levar a sério“.

Zé Gouveia, que também já foi alvo da comediante, relatou a sua experiência pessoal. “No meu caso não foi desagradável porque eu pus-me a jeito, como se costuma dizer. Fui para um podcast de forma demasiado descontraída e, portanto, não me senti, no meu caso em particular, não me senti lesado“, afirmou.

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No entanto, o comentador marcou uma posição firme quanto à escolha de temas sensíveis. “O humor não deve causar dor“, defendeu. Zé Gouveia centrou a sua análise no caso específico de Mafalda Matos. “Não é a questão da Mafalda Matos, é a questão de se eu estou a falar sobre uma doença como o autismo, eu se calhar, de tudo aquilo que eu posso escolher para brincar, eu se calhar olhava a dizer assim: ok, ela não esteve bem, se calhar ela não fez, mas não vou brincar com uma doença como o autismo, não vou trazer o autismo para o humor“, argumentou.

Quando questionado por Catarina Miranda se a humorista se referia à forma como o tema estava a ser abordado e não à condição em si, Zé Gouveia rejeitou essa perspetiva: “Mas estava a abordar o tema do autismo. Ela estava-se a assumir como autista. É um tema que a partir dali, não, nem todos os temas são válidos para o humor, e uma doença não é de todo propícia para o humor“.

O convidado Ruben, por sua vez, argumentou que a intenção da comunicação é determinante. “Eu acho que muitas vezes tem a ver a forma como nós comunicamos. Vou dar o exemplo, uma anedota alentejana. Eu não estou propriamente a afetar todos os alentejanos, e como é óbvio, os alentejanos não se vão afetar acerca disso, mas tem a ver com uma sátira antiga e que nós nos rimos todos“, contrapôs.

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Zé Gouveia concordou com este exemplo específico, mas manteve a sua posição sobre áreas mais delicadas. “Em temas como a saúde, em temas como a religião, etc., é preciso muito cuidado, é preciso fazer um humor com pinças“, concluiu o comentador.

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