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A dor secreta de João Cancelo: O refúgio no cemitério às 2 da manhã para chorar em paz

"O meu pai queria bater com a cabeça no chão": O pesado luto da família de João Cancelo

O internacional português emocionou-se ao recordar o colapso emocional do progenitor nos meses que se seguiram ao trágico acidente.

A assunção da liderança familiar numa idade ainda muito jovem obrigou João Cancelo a esconder a própria dor para suportar o sofrimento do pai e do irmão mais novo e, foi no programa da SIC, à conversa com Daniel Oliveira, que o jogador revelou os bastidores da depressão que assolou a sua casa e a forma pouco convencional, mas necessária, que encontrou para fazer o próprio luto após o falecimento da mãe em 2013.

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A reação do pai à tragédia foi imediata e de extrema gravidade. “O meu pai dormia e acordava, começava a beber whisky, depois ia-se deitar outra vez. E foi ali uma fase muito, muito complicada”, confessou Cancelo, recordando o pânico de ver o progenitor entregar-se ao desespero sem reservas. Perante um pai prostrado e um irmão de oito anos que “começou a fazer a vida dele normal” apenas pela urgência de continuar, o jovem assumiu a responsabilidade da casa. “Eu tentava não chorar para parecer o mais forte, para parecer o líder da família, que tinha que o ser, de uma forma muito pouco madura, porque eu tinha 18 anos na altura, mas tive que o fazer“.

Para suportar este peso sem desmoronar perante os seus, Cancelo procurava o silêncio e a escuridão da noite para chorar todas as lágrimas que reprimia durante o dia. “Principalmente as conversas que eu tinha com a minha mãe, às duas da manhã. Eu saía da minha casa disparado, ia à campa da minha mãe falar com ela, saltava o muro do cemitério e ia falar com ela“, revelou ao apresentador.

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A curta distância entre a sua casa e o local de repouso da progenitora facilitava estas fugas desesperadas. “Eu não conseguia dormir, estavam-me a cair as lágrimas. O cemitério era na altura a 15 minutos a pé da minha casa e eu saía disparado a correr, ia falar com ela porque sentia necessidade e voltava mais aliviado“, partilhou.

Hoje em dia, a estabilidade financeira e profissional contrasta sempre com o vazio irremediável dessa perda. “A ambição que eu tinha de mostrar à minha mãe que eu ia ser bem-sucedido na vida. Isso acho que foi o principal”, sublinhou, admitindo que daria todo o dinheiro e carros para a ter de volta: “Falta a pessoa que mais merecia viver tudo aquilo que eu estou a viver hoje“.

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