Apesar de ter ficado ferido e de ter levado oito pontos na cabeça, o atleta recusou a anestesia e foi a jogo no dia seguinte.
Para além das perdas familiares, a vida de João Cancelo também foi marcada por momentos de extremo pânico que ameaçaram a integridade dos seus entes queridos pois, durante a conversa no «Alta Definição», o internacional português recuou ao dia 30 de dezembro para descrever o terror vivido na sua residência em Inglaterra, quando quatro assaltantes armados invadiram a propriedade.
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A família estava reunida e Cancelo preparava-se para descansar quando o impensável aconteceu. “Foi quando me entrou em casa quatro indivíduos encapuzados. Eles não partiram nada, eles já estavam no meu jardim (…) e eles da parte de fora já… foi tudo muito bem estudado“, recordou o atleta. Os criminosos, armados com armas brancas que o jogador descreveu como “facas tipo catanas“, aproveitaram um descuido na porta traseira da cozinha para entrar sem fazer ruído.
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Com a filha de dois anos no banho e o resto da família espalhada pelas divisões, o instinto de proteção falou mais alto, ainda que hoje reconheça o risco extremo da sua atitude. “Eu sendo uma pessoa muito impulsiva, ele virou-se de costas para mim e eu senti a oportunidade de fazer alguma coisa. (…) Consegui dar um soco na parte de trás da cabeça, aqui nesta parte aqui da nuca. Caiu para a frente e a faca caiu no chão. Eu consigo chegar à faca e de repente vem um de trás, deu-me com ferro na cabeça“, relatou, apontando para a cicatriz resultante da agressão que o fez desmaiar.
Ao acordar com uma faca no pescoço, o lateral-direito foi obrigado a subir ao quarto para entregar os bens de valor, num momento de enorme tensão que o levou a alertar imediatamente a companheira. “A minha mulher, quando eu entrei no quarto, ela viu-me com a cara toda arrebentada e eu disse: ‘Daniela, vai e tranca-te na casa de banho com a minha tia, não digas nada, está tudo bem, eles só me querem a mim’“, contou o jogador, descrevendo que, num último ato de resistência, acabou pontapeado e deixou o tapete ensanguentado.
Numa demonstração de resiliência e teimosia, João Cancelo recusou qualquer tipo de anestesia no hospital quando levou os oito pontos para fechar a ferida e, no dia seguinte, entrou em campo para cumprir as suas obrigações profissionais. “Levei pontos nesse dia, sem anestesia, porque não quis levar anestesia. Porque tem esta parte mais maluca, depois destas coisas gosto de sentir dor. (…) E no dia seguinte fui jogar, cheio de dores de cabeça, com os olhos todos negros“, concluiu.
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