A grande análise ao “Olá, Bom Dia!” de Luciana Abreu com audiência a desabar
Transição do “Manhã CM” para “Olá, Bom Dia!” provoca queda drástica de audiências e perda de público fiel

A manhã da CMTV desmoronou-se. A transição do “Manhã CM” para o novo “Olá, Bom Dia!” resultou numa quebra acentuada das audiências, forçando a estação a mexer drasticamente na duração e estrutura do formato. Os dados consolidados são inequívocos.
Em 2025, o “Manhã CM” era um formato robusto e contínuo, com emissões que se estendiam por quase duas horas, frequentemente entre 01:40:00 e 01:50:00. Começava tipicamente por volta das 09:08 ou 10:08.
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No último dia de 2025, marcou 1.3% de Rating, 6.7% de Share e uma média de 126.4 mil espectadores, com um alcance de 4.1%, mas ao longo do ano, os números eram ainda mais fortes, com picos de Rating de 1.9% e 2.0%, e Shares entre 12% e 14% nos primeiros meses.
A 21 de março de 2025, o “Manhã CM” registou o seu recorde absoluto, atraindo 200.2 mil espectadores de média, com um rating de 2.0%, porém, não foi um feito isolado, pois, outros dias como 10 de março (189.7 mil espectadores e 1.9% de rating), 11 de março (188.7 mil espectadores e 1.9% de rating) e 18 de abril (187.7 mil espectadores e 1.9% de rating), confirmam a robustez do programa na captação de público. Em média, era comum reunir entre 120 e 160 mil telespetadores por emissão.
No que toca a quota de mercado, a história era idêntica, uma vez que, o “Manhã CM” atingia frequentemente valores muito acima dos 10% e 12%, números que esmagam a realidade vivida em 2026. A 21 de janeiro de 2025, o programa chegou aos 15.2% de share, o seu recorde. Outros resultados de excelência, acima dos 13%, incluíam 31 de janeiro (14.0%), 28 de janeiro (13.7%), 22 de janeiro (13.3%) e 11 de março (13.2%).
O cenário mudou drasticamente com a chegada do “Olá, Bom Dia!” pois, uma emissão consolidada a 15 de junho de 2026, por exemplo, não foi além dos 99.1 mil espectadores – menos de metade dos picos históricos alcançados pelo formato anterior -, mas os resultados foram ainda mais preocupantes em blocos específicos.
A 6 de abril de 2026, por volta das 10h09, o “Olá, Bom Dia!” afundou para uns residuais 3.2% de share, retendo apenas 50.9 mil espectadores (0.5% de rating) e, dias depois, a 3 de abril, no bloco das 11h08, a quota de mercado caiu para uns mínimos 2.7%, com 54.5 mil espectadores. O fundo foi atingido a 7 de maio de 2026, quando o programa reteve meros 43.3 mil espectadores e um fraco share de 3.7%.
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De destacar que o ‘Manhã CM’ tinha um público fiel e bem definido, o clássico espetador das manhãs da CMTV que era (e é!) esmagadoramente feminino, contava com 75.7 mil espetadoras face a 50.8 mil homens. A idade média era elevada, com a faixa dos maiores de 75 anos a dominar (31.0 Rat#), seguida pelos 55 aos 64 anos (27.9 Rat#). Em termos de classe social, a Classe E liderava com 54.9 Rat#, seguida pela D com 35.8 Rat#, demonstrando um forte apelo às classes mais baixas. Lisboa (42.8 Rat#) e o Norte (37.1 Rat#) eram as regiões mais fortes.
A viragem para o “Olá, Bom Dia!” em 2026 trouxe um cenário bem diferente, pois, os dados de 15 de junho mostram uma queda para 1.0% de Rating e uma média de 99.1 mil espectadores. O alcance, um indicador da capacidade de atrair público ao canal, tombou para uns dramáticos 2.0%. Ao longo de 2026, era comum ver os valores oscilarem entre os 0.6% e 0.9% de Rating.
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Para tentar estancar esta sangria de audiências, a CMTV adotou uma medida drástica: o “Olá, Bom Dia!” foi “retalhado” e encurtado. Deixou de ser um bloco contínuo de quase duas horas para ser emitido em “pílulas” de apenas cerca de 30 minutos, com durações entre 00:27:45 e 00:35:00. A estratégia passou a ser distribuir estes blocos curtos por vários horários da manhã – 09:08, 10:08, 11:08 – na esperança de ‘pescar’ alguma audiência.
A mudança de formato, apresentadores e estúdio descaracterizou por completo a audiência base que acompanhava o “Manhã CM” e, a predominância feminina diminuiu de 75.7 mil para 65.1 mil espetadoras.
A fuga das classes mais baixas foi notória, com a Classe E a cair de 54.9 mil para apenas 32.9 mil. Contudo, o programa conseguiu, curiosamente, atrair mais espetadores de classe média/alta, com a Classe B a saltar de 17.2 mil para 27.2 mil. Houve também uma descida nos maiores de 75 anos, mas um pequeno e surpreendente aumento nos jovens dos 15 aos 24 anos, que subiram para 12.0 Rat#. Regionalmente, Lisboa perdeu imensa força, caindo de 42.8 mil para 29.6 mil, enquanto o Norte ganhou alguma relevância.
A comparação direta expõe uma “fuga de fidelização”. O “Manhã CM” mantinha confortavelmente mais de 126 mil espectadores num dia normal, com um alcance de 4.1%. Já o “Olá, Bom Dia!” viu a média baixar para os 99 mil, e o alcance cortado para metade, apenas 2.0%. Menos pessoas sintonizavam, e menos pessoas faziam zapping para experimentar.
As alterações alienaram a base de sustento matutino da CMTV: as donas de casa, mais velhas, das classes trabalhadoras e reformadas. A quebra de 54.9 mil para 32.9 mil na Classe E é o indicador mais claro de que o novo programa não se conectou com o espetador tradicional do canal, parecendo mais elitista, como mostra a subida da Classe B, mas perdendo nos números absolutos globais.
A direção da CMTV viu-se forçada a ‘matar’ o formato de “talk-show” longo e contínuo e, em vez de uma manhã estruturada de quase duas horas (01:45:00 no “Manhã CM”), o “Olá, Bom Dia!” surge agora fragmentado, saltando em blocos de 30 minutos às 09h, 10h e 11h. Esta é uma estratégia defensiva clássica em televisão quando um programa não consegue ‘agarrar’ a curva de audiência, procurando minimizar o impacto da fuga para a concorrência.
A concorrência, claro, aproveitou a fragilidade da CMTV, pois, o “Dois às 10” da TVI, líder nas manhãs, registava no final de 2025 3.0% de Rating e 14.2% de Share e, em junho de 2026, a competir com os “restos” do “Olá, Bom Dia!”, o programa da TVI estava substancialmente mais forte, com 3.5% de Rating e uns expressivos 18.6% de Share.
Estes dados comprovam que a alteração do formato em 2026 representou uma quebra estrutural massiva nas manhãs da CMTV e, enquanto o “Manhã CM” navegava rotineiramente entre os 120 e 160 mil espectadores, com saltos frequentes para lá dos 11% e 12% de share, o “Olá, Bom Dia!” viu os seus números diários resvalar frequentemente para a faixa dos 60 a 90 mil. Exceções, como um pico isolado de 184.8 mil espectadores a 18 de março de 2026, foram raras.
Esta performance arrastou muitas vezes as quotas de mercado para níveis preocupantes de 4% a 6%, situação que forçou o canal a “esconder” o formato em curtos blocos de 30 minutos na grelha de programação.
Os dados atestam de forma categórica: a reestruturação da manhã da CMTV em 2026 destruiu o hábito de visualização. O “Olá, Bom Dia!” perdeu a identidade demográfica central da estação, afundou o número total de espetadores e obrigou o canal a reduzir drasticamente a exposição em antena de um formato que, antes, ancorava grande parte da sua manhã.