A propósito do aniversário da mãe, a pivô da TVI recordou a carreira política de Fátima Felgueiras e os dez anos de processos judiciais, apontando o dedo a um país que considera “machista” e injusto.
A jornalista Sandra Felgueiras utilizou o aniversário da mãe para partilhar uma reflexão profunda e mordaz sobre o percurso de Fátima Felgueiras, a ex-autarca que marcou a política nacional e, num texto onde a admiração pessoal se cruza com a crítica social, Sandra não poupou palavras ao descrever o que considera ter sido uma perseguição motivada pelo género e pelo poder.
“A minha mãe foi a primeira grande vítima do machismo no poder“, afirmou a jornalista, recordando que Fátima Felgueiras foi deputada aos 22 anos e presidente de câmara antes dos 40, num “país de homens” e, ainda sublinhou a resiliência da mãe perante os processos judiciais que a visaram durante mais de uma década: “Foi abusivamente julgada durante mais de 10 anos até ser absolvida. Nunca lhe pediram desculpa“.
Um dos pontos mais reveladores da homenagem foi a revelação de que Fátima Felgueiras recusou lutar por indemnizações financeiras ou levar o caso ao Tribunal Europeu, após a sua absolvição.
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Segundo Sandra, a mãe preferiu abdicar do dinheiro e da vaidade política para recuperar o tempo perdido com a família. “Teria ganho as eleições que quisesse em Felgueiras, mas ela é muito superior à vaidade dos homens“, escreveu a pivô, destacando o carácter altruísta e generoso da progenitora.
Sandra Felgueiras aproveitou ainda o momento para traçar um paralelo entre o passado da mãe e as polémicas que assolam o Portugal de hoje, referindo-se a uma “doença grave” que ainda mina a sociedade. “Aquela que normaliza violações e comportamentos íntimos indignos. Há muito mais por aí“, alertou, numa alusão clara aos debates recentes sobre justiça e direitos das mulheres.
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A jornalista terminou a mensagem com um agradecimento emocionado, reconhecendo o sacrifício de Fátima Felgueiras em “aguentar” a violência do escrutínio público em prol dos filhos. “Devo-te a vida toda e a pessoa que sou“, rematou, numa publicação que rapidamente se tornou um espaço de debate sobre o legado da antiga presidente da Câmara de Felgueiras e o papel das mulheres no poder.