No podcast “Não Sei Ser”, a humorista Joana Gama fugiu à análise binária do “certo ou errado” para explicar por que razão as palavras de Cristina Ferreira são perigosas e como o público reage por uma necessidade de superioridade moral.
Joana Gama decidiu entrar no debate sobre as polémicas declarações de Cristina Ferreira – que questionou se, num cenário de violação, os agressores conseguiriam ouvir um “não” – mas fê-lo com uma perspetiva que foge ao algoritmo comum das redes sociais.
A humorista começou por notar que, embora o assunto esteja “mastigadíssimo”, é necessário olhar para os mecanismos que levam tanto ao erro da apresentadora como à reação virulenta do público e explicou que existe uma tendência perigosa para publicarmos opiniões rápidas e fortes porque sentimos que isso é um teste de moral e uma oportunidade de posicionamento, onde queremos provar que estamos do lado certo, dos “fixes”, transformando temas sensíveis em meras questões de carácter sem contribuir para um bem-estar global.
Ao dissecar a influência da apresentadora sobre o público mainstream, Joana recorreu a conceitos da psicologia para explicar a gravidade do momento e, segundo a humorista, o chamado Halo Effect faz com que as pessoas que têm uma exposição inalcançável, que parecem felizes e naturais, levem o espectador a pensar que tudo o que dizem está certo. “Se ela tem um ar feliz, ela sabe mais e vive melhor e é mais feliz que eu, portanto, tudo aquilo que ela diz está certo“, sublinhou Joana, acrescentando que este fenómeno é potenciado pelas relações parassociais.
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Nestes casos, a exposição constante faz com que o público sinta que conhece a figura pública pessoalmente, tornando a sua opinião automaticamente mais verdadeira do que qualquer fonte fidedigna ou investigação que o espectador pudesse procurar de forma independente.
No entanto, a crítica de Joana Gama não se limitou à estrela da TVI, estendendo-se a quem a ataca de forma inflamada na internet e, a humorista defende que ao marcarmos a nossa posição moral de forma tão simplista, estamos a cometer exatamente o mesmo erro de falta de literacia que criticamos.
Joana apelou a que se tenha alguma empatia pela pessoa que errou, mesmo que seja poderosa, pedindo um “lag” de alguns minutos antes de se construir uma opinião pública. “Não estou a dizer que quero jantar com a Cristina Ferreira ou fazer amor com ela, quero só que devia haver um bocado de empatia, pelo menos para haver um tempo até construirmos a nossa opinião só por ser um ser humano“, afirmou, sugerindo que o ódio geral é apenas a consequência de uma conjuntura que não ajuda a diminuir barreiras.
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Como solução para evitar que estes episódios se repitam, a humorista defendeu que os grandes grupos de média devem investir em formação séria para quem não é jornalista e, por isso, não segue um código deontológico rígido, baseando-se apenas num bom senso que é subjetivo.
Joana acredita que deveria existir um brio de investigação e a sistematização de guias de comunicação sobre temas como a violação ou a saúde mental.
Para a criadora de “Não Sei Ser”, a autenticidade do direto é valiosa, mas é muito mais rico se a televisão conseguir transmitir conhecimento e literacia mediática, desafiando a bipolarização que atualmente coloca a sociedade em sarilhos e nos impede de ter conversas racionais e desconstruídas.
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