“Máquina de destruição de inteligências”: Nuno Nabais critica programa de Filosofia nas escolas
"É mesmo chato": Filósofo aponta falhas graves no ensino secundário e sugere mudança radical
O filósofo defende que a introdução à matéria deveria acontecer apenas no ensino superior, servindo como complemento a outros cursos, à semelhança do que acontece na Alemanha ou em Inglaterra.
O ensino da Filosofia no secundário em Portugal é, para muitos, uma memória penosa, e Nuno Nabais compreende perfeitamente o porquê. Convidado de Joana Gama no podcast «Não Sei Ser», o filósofo e professor universitário teceu duras críticas à forma como a disciplina é lecionada nos liceus portugueses, classificando a experiência de muitos alunos como um autêntico “trauma”.
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Contrariando a ideia de que o ensino precoce da matéria é benéfico, Nuno Nabais assume uma posição radical: a Filosofia não deveria ser ensinada no secundário. “É prematuro. Porque depois as pessoas criam uma certa resistência à filosofia, porque têm uma experiência de aulas vazias, absurdas, aborrecidíssimas“, explicou, apontando o dedo aos programas curriculares das últimas duas décadas, fortemente influenciados pela tradição analítica norte-americana.
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Sem papas na língua, o professor descreveu o atual modelo como um “programa horroroso, que começa com a lógica, depois vai para o tiro da argumentação“. A sua visão sobre o impacto desta abordagem nos jovens é demolidora. “É mesmo chato, parece que é deliberadamente construído para ser uma máquina de destruição de inteligências (…) é mesmo um massacre que o programa atual de filosofia (…) pratica sobre a cabeça dos alunos“, atirou, lamentando que o espírito crítico seja castrado em prol da memorização de “paradoxos e tabelas de verdade“.
Como alternativa, Nuno Nabais defende o modelo aplicado em países como a Alemanha ou a Inglaterra, onde a disciplina é introduzida apenas na universidade, e de forma adaptada a cada curso.
“As pessoas não estudam filosofia nos liceus, mas quando entram para qualquer curso superior, têm sempre pelo menos três cadeiras de filosofia, orientadas para a respetiva área“, argumentou, justificando que é por isso que, lá fora, é comum ver engenheiros ou médicos a lerem e a interessarem-se por livros da área.
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