Onde estão os filósofos em Portugal? Nuno Nabais lamenta ausência em debates essenciais
Nuno Nabais critica falta de produção intelectual em Portugal e deixa rasgados elogios a José Gil
O professor e fundador da Fábrica Braço de Prata lamenta que a classe filosófica esteja ausente da discussão pública de temas fraturantes, como o aborto, as guerras ou as alterações climáticas.
A ausência de reflexão filosófica no espaço mediático e público em Portugal é um cenário que inquieta Nuno Nabais. Em conversa com Joana Gama no podcast «Não Sei Ser», o filósofo fez uma análise contundente ao papel dos seus pares na sociedade atual, criticando quer a postura dos meios de comunicação, quer a inércia da própria classe profissional.
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Para Nuno Nabais, o facto de grandes temas da atualidade serem discutidos sem o enquadramento de pensadores é um sintoma da falta de respeitabilidade da disciplina em território nacional. “É estranhíssimo que estejam a passar coisas fundamentais para o futuro de nós e o futuro do mundo e nos debates imensos que há nos meios sociais nunca aparece um filósofo (…) Há um hábito em Portugal de descartar os filósofos desses debates“, afirmou, dando como exemplos as discussões sobre o esforço de guerra, as alterações climáticas ou o aborto.
No entanto, o professor não isenta os seus colegas de responsabilidade, acusando-os de acomodação. “Nós, filósofos, estamos a traiçoar a própria filosofia, porque não há uma produção séria de obras, de artigos, escritos por filósofos. E eles tinham essa obrigação“, sublinhou.
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A única e honrosa exceção apontada foi José Gil, descrito como “um caso isolado” pela sua publicação regular em jornais e por editar obras de referência.
O pensador evidenciou ainda um paradoxo flagrante da realidade nacional pois, devido à obrigatoriedade da disciplina no ensino secundário, Portugal é o país europeu com o maior número de profissionais de Filosofia (professores) por habitante. Contudo, essa abundância não se traduz em pensamento ativo.
“Somos o país da Europa que menos publica filosofia por habitante e que menos relevância, que pregnância tem nos meios de comunicação social“, concluiu Nuno Nabais com evidente desilusão.
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