Na sua rubrica na RFM, a influenciadora digital utilizou o espetáculo do cantor porto-riquenho para refletir, com muito humor, sobre o processo exaustivo que é comprar bilhetes e escolher o visual.
Ana Garcia Martins recorreu à sua rubrica “Ninguém Pod Comigo”, na rádio RFM, para partilhar a sua mais recente experiência num grande espetáculo de música. O mote foi o muito aguardado concerto de Bad Bunny, mas a influenciadora digital acabou por fazer uma reflexão carregada de ironia sobre a autêntica dor de cabeça em que se tornou, nos dias que correm, a simples tarefa de assistir a um evento desta dimensão.
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A criadora de conteúdos começou por recordar a simplicidade do passado e a forma descomplicada como as gerações anteriores encaravam a música ao vivo. “Eu não sei se vocês se lembram quando o processo de ir a um concerto era qualquer coisa como: ‘Malta, vêm cá os U2, compramos bilhetes, bora!’“, relembrou, sublinhando que a preparação também não exigia grande esforço, resumindo-se a “uma t-shirt e umas calças de ganga e fim de conversa“.
Em contraste absoluto, Ana Garcia Martins descreveu o cenário atual do entretenimento como uma autêntica “Odisseia em 27 atos“, onde a compra de ingressos se transformou num desporto de alta tensão e exigência. “Primeiro abrem as pré-pré-pré-reservas, depois abrem as reservas para quem provar saber as letras todas do artista em questão (…) Depois é preciso ir para uma fila virtual às 3 da manhã“, ironizou. A frustração adensa-se na hora de finalizar a compra, quando a plataforma diz “dá erro, vai ter de voltar para o fim da fila“.
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A comentadora brincou ainda com o longo período de espera que habitualmente medeia a compra do bilhete e a data efetiva do espetáculo, tempo suficiente para a vida dar muitas voltas. “Às vezes entre a compra e o concerto a pessoa já emigrou para Fafe, já teve gémeos, já viu o Sporting perder o tricampeonato“, atirou com o seu habitual sarcasmo.
Outro alvo das fortes críticas da influenciadora foi a excentricidade dos visuais escolhidos pelo público moderno e a atual obsessão com a criação de conteúdos para o digital, dando o exemplo da tendência de vídeos “Vens comigo para o concerto do Bad Bunny?“. A humorista lamenta que o principal objetivo tenha deixado de ser o “deixa-me lá ir confortável” para passar a ser o “transmitir conceito”.
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Sem papas na língua, descreveu o resultado estético desta nova moda: “Aparecem como se tivessem sido abandonadas na Segunda Circular pelo stylist da Rute Marlene“.
A rematar, Ana Garcia Martins deixou um apelo sentido a todos os amantes de música e festivaleiros. “Eu só queria pedir às pessoas se podiam só voltar a fazer dos concertos um evento normal, onde se vai para ouvir música, não é? Em vez de se transformar tudo num enorme Kinder Surpresa de bimbalhice, está bem?“, concluiu.