Com apenas 28 anos, José Condessa já pisou os palcos como Hamlet, brilhou como protagonista em novelas, trabalhou com Pedro Almodóvar e tornou-se um dos rostos portugueses mais conhecidos internacionalmente através da Netflix.
Sem deslumbres ou tiques de vedeta, o ator recusa a ideia de emigrar e mantém a sua casa e base em Portugal.
A propósito da estreia da aguardada terceira temporada da série Rabo de Peixe, sentou-se à conversa com a jornalista Catarina Silva para a Notícias Magazine, onde abordou o fim deste grande capítulo profissional e pessoal.
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Confrontado com o desfecho do formato que o projetou à escala global, Condessa não escondeu que o sentimento que o domina é a nostalgia. O ator confessou ter dificuldade em lidar com despedidas, especialmente num projeto que marcou tão profundamente a sua carreira. “De uma forma nostálgica. Sou nostálgico em tudo, em todas as despedidas, sou mau com finais. E a nível profissional custa-me ainda mais, porque sei que não me vou voltar a cruzar com aquele universo”, partilhou.
O protagonista recordou a enorme incerteza que se viveu nos primórdios do projeto e a diferença para este momento de encerramento definitivo, ditado pela terceira parte da história. “Já tivemos a sorte em Rabo de Peixe de termos uma segunda e uma terceira temporadas. Fechámos a primeira a querer muito voltar, mas sem saber o que seria o futuro. Agora, acabar a terceira temporada é saber que é um fim. E isso tem um peso nostálgico muito grande, principalmente depois de tudo o que foi esta viagem, que foi muito especial para todos”, explicou.
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Para além da forte viagem emocional, a entrevista focou-se no impacto real e palpável da série para o mercado audiovisual português. José Condessa mostrou-se totalmente convicto de que a produção açoriana ajudou a consolidar a aposta no país. “Tenho a certeza. O streaming em Portugal não tinha ainda conquistado esse lugar, e estava até um bocadinho tremido antes de Rabo de Peixe. A própria Netflix não sabia se tinha vindo para ficar. E nós, de repente, conseguimos provar que é possível. Que é possível uma produção portuguesa chegar a outros sítios e deixar a sua marca”, garantiu.
O orgulho pelo trabalho feito estende-se às oportunidades criadas para toda a classe artística e técnica nacional.
O ator destacou que a porta não se abriu apenas para si ou para o realizador Augusto Fraga, mas sim para toda uma indústria que merecia ser vista no mundo. “A Netflix vai produzir mais em Portugal, foram feitos novos acordos, os olhos ficaram muito mais em Portugal, não só para produções estrangeiras, mas para coproduções. Com o Brasil, com Espanha, com França. De alguma forma, parte desse mérito é nosso, de Rabo de Peixe. Provámos que também somos capazes de fazer coisas portuguesas, assinadas em português e que são um sucesso lá fora”, concluiu.