Afastado do consumo de bebidas alcoólicas por recomendação médica, o mentor dos Ena Pá 2000 admitiu o choque com a fragilidade física.
Um episódio clínico severo levou Manuel João Vieira a confrontar-se com os limites da própria resistência física após o período eleitoral pois, em entrevista a Daniel Oliveira no «Alta Definição», o artista confessou o sobressalto vivido durante duas semanas sob vigilância hospitalar: “Estive com uma mania que ia para o outro lado, para o hospital, e estive na UCI durante algum tempo (…) 15 dias (…) E depois fui para um outro sítio em que fiquei melhor, mas eu às tantas dizia para mim, ‘vá lá, só mais uma semana, só mais duas semanas’ (…) eu quando fui para o corredor (…) precisavam de um passador e não sei quê, aquelas coisas que se ouvem quando se vai para esses sítios. E então estava mesmo cagaçado. E então às tantas só queria mais três semanas, um mês, só para eu tentar pôr as coisas assim em ordem, não ser assim coisa de repente a apanhar-me“.
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A crise manifestou-se na sequência de alterações na medicação que mantinha há anos: “Pode ter sido várias coisas. Eu estava a tomar comprimidos para dormir, que tomava há 10 anos. E que deixei de os tomar de repente. E disseram que foi isso que me pôs assim“.
O ambiente hospitalar acabou por ficar gravado na sua memória visual e sonora: “Estive muito atento àquilo que se passava, sobretudo à noite, à minha volta, embora tivesse uma espécie de uma cortina à minha frente. Ouvia à minha esquerda alguém a tossir com uma tosse muito profunda (…) do lado direito, ouvia alguém a tossir mais agudamente. Depois ouvia um sujeito que se percebia que estava à esquerda, ao fundo, a gritar, ‘Júlia! Júlia! Júlia!’ E depois todos acordavam com um problema qualquer e aquilo era caótico (…) Havia uma senhora que estava à minha frente que dizia, ‘ah, eu tive uma vida muito colorida (…) muitas festas, muitas orgias, álcool, drogas (…) E o que é que a senhora fazia? ‘Eu nada, nunca fiz nada’“.
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O período de recobro obrigou a uma mudança forçada de hábitos e a uma paragem total no consumo de álcool: “Houve uma médica que me deu determinadas coisas para dormir, em que disse, ‘você, o melhor que tinha que fazer agora era não beber durante oito meses’. E eu deixei de beber. Não bebo há quatro meses e vou estar mais quatro meses sem beber (…) Agora dá-me vontade de beber um vinho tinto com um bife de lombo. É pena não conseguir“.