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“Éramos humilhados todos os dias”: Vítimas de tráfico humano relatam terror no Camboja e Madagáscar

Enganados com promessas de emprego no estrangeiro, cidadãos brasileiros foram sequestrados e forçados a burlas online

Depois de passarem por espancamentos e cativeiro na Ásia e em África, os elementos do grupo encontram-se abrigados numa igreja local à espera de apoio consular.

Um grupo composto por cerca de vinte cidadãos brasileiros, entre os quais nove naturais do estado da Bahia, denuncia ter sido vítima de uma rede internacional de tráfico de seres humanos com ramificações no sudeste asiático e em África.

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Os trabalhadores viajaram atraídos por ofertas de emprego fraudulentas com salários prometidos em dólares, mas acabaram despojados dos documentos de viagem, encarcerados e coagidos a praticar burlas nas plataformas digitais.

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A violência do cativeiro no Camboja foi descrita sob anonimato por quem vivenciou as agressões nas instalações vigiadas: “Muitos tentaram fugir, foram agredidos, éramos humilhados constantemente todos os dias“. Além das pessoas oriundas da Bahia, o contingente integrava residentes do Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais.

A denúncia apresentada pela jurista Queila Veloso detalha o procedimento de engodo de uma das afetadas, aliciada por um conhecido em outubro de 2025: a proposta contemplava contrato de um ano com vencimento mensal de 1500 dólares e despesas de deslocação aérea asseguradas. Confrontada com a situação de desemprego no país de origem, a mulher anuiu ao desafio profissional, descobrindo mais tarde que a pessoa que fez a ponte tinha caído no mesmo embuste.

Ao desembarcarem no destino, os cidadãos foram imediatamente desprovidos dos passaportes e confinados a um complexo vedado, executando tarefas forçadas de atendimento telefónico para extorquir dinheiro a outras pessoas no Brasil. A recusa em cumprir o expediente resultava em violência física, ameaças e imputação de sanções financeiras exorbitantes.

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Na sequência de operações das forças de segurança nos alojamentos cambojanos, a organização criminosa transferiu as vítimas para Madagáscar, onde as condições de sujeição continuaram. O relato de um dos elementos expõe o nível de coação: “Multas e multas vinham a partir de cada situação mínima, chegamos a situação de ficar um mês sem receber salário, sempre nos obrigando a continuar ligando. Eu contraí uma doença aqui em Madagascar, fui trabalhar doente, vomitando, com diarreia, cheguei a quase desmaiar“.

A 19 de agosto, uma nova intervenção policial no território malgaxe culminou na detenção provisória de todo o grupo devido à falta de identificação legal. A libertação ocorreu cerca de 72 horas depois, momento em que a entidade não governamental Exodus Road Brasil interveio na assistência humanitária aos afetados.

A responsável da organização, Cintia Meirelles, revelou o quadro atual de desamparo institucional: “Nesse exato momento, eles estão abrigados em igreja, estão protegidos, com o local sem ser informado para proteção. Estão sendo acolhidos por organizações e missionários locais e ainda não estão tendo nenhum suporte do governo federal brasileiro“.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e as instâncias de Direitos Humanos da Bahia confirmaram estar a encetar diligências diplomáticas junto das autoridades africanas no sentido de viabilizar a repatriação em segurança.

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