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“Fechei portas por …”: Manuel João Vieira admite arrogância extrema na juventude

Manuel João Vieira recorda os tempos d'Os Filhos de Átila: "Achávamo-nos o máximo"

O confronto físico com especialistas e os manifestos irreverentes afastaram oportunidades no circuito cultural lisboeta.

A entrada de Manuel João Vieira no panorama artístico da década de 1980 deu-se sob o signo da confrontação pura e dura. Convidado do programa «Alta Definição», o pintor e fundador do histórico Grupo Homeostético reconheceu ter ultrapassado os limites da cordialidade no trato com a crítica institucional.

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Quão arrogante era até aos 25 anos? Muito. Não só eu como todo o meu grupo (…) Intelectualmente e acharmo-nos o máximo quando tínhamos essa idade. Nós publicávamos uma revista chamada ‘Os Filhos de Átila’, que era mais ou menos o órgão jornalístico do movimento homeostético. Era uma atitude bastante neodadaísta ou também parecida com a dos modernistas (…) A nossa atitude em relação à crítica de arte, em relação ao mundo da arte, era um bocado insolente“.

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O choque com personalidades do meio chegou mesmo às vias de facto num dos episódios mais polémicos do seu percurso: “Pegou num crítico pelos queixos? É possível que tenha feito isso? É possível. Ah, sim, já me lembro. Sim, é verdade. Pronto, eu era um bocado bruto. Porque eu era muito arrogante. Muito arrogante. Terrível. Terrivelmente arrogante. E isso fechou-me algumas portas. Eu acho que isso pode ser um ato inconsciente de autossabotagem“.

Ao olhar em retrospetiva para essas escolhas, o criador lamenta algumas oportunidades que deixou cair: “De que outras coisas se arrepende? Às vezes, de repente, o meu pai propôs-me ir para Londres estudar arte, depois das Belas-Artes. Eu às vezes, de repente, não ter ido, ou pergunto-me como é que teria sido, pergunto-me a mim próprio se podia ter feito outra coisa“.

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Com o passar dos anos, essa postura ruiu: “O Manuel João dos 25 anos reconheceria o pai Manuel João? Acho que por um lado não deve ser a mesma pessoa (…) Não tenho realmente o rei na barriga da forma que tinha nessa altura. Não estou convencido que era o melhor do mundo, isso acabou“.

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