Num texto marcado pela ironia, a jornalista afasta a necessidade de porta-vozes e reconhece as conquistas históricas das lutas feministas.
Tânia Laranjo utilizou os seus perfis nas redes sociais para partilhar com os seguidores uma reflexão irónica e contundente sobre o debate político em torno do papel feminino no espaço público onde, a jornalista da CMTV começou por comentar a narrativa de perseguição ideológica que tem circulado nos últimos tempos.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
“Há uma guerra contra as mulheres de direita. Eu sou mulher, sou de direita e não dei por nada. O que me deixa bastante descansada, mas ligeiramente preocupada com a qualidade da guerra. Se calhar é uma guerra por correspondência e a carta perdeu-se“, escreveu, a jornalista Tânia Laranjo.
A jornalista rejeitou qualquer tentativa de padronização ou apropriação de um discurso homogéneo em nome de um setor político: “O que me faz alguma confusão é esta coisa de falar ‘pelas mulheres de direita’, como se existisse uma Mulher de Direita oficial. Deve haver um exemplar original algures. Talvez numa redoma. Ao lado da Mulher de Esquerda, para comparação“.
Leia também: Tânia Laranjo viveu susto com o gato e a tempestade: “pensei que ele tinha aprendido a abrir gavetas”
Na ótica da profissional, o valor fundamental reside no livre-arbítrio e na multiplicidade de caminhos que cada pessoa escolhe trilhar ao longo da vida: “Acho que uma mulher pode decidir sobre o próprio corpo, trabalhar, ficar em casa com os filhos, fazer carreira, ter filhos, não ter filhos, mudar de profissão aos 50 ou passar o dia a fazer bolos para vender no Instagram. Desde que pague os impostos, se possível“.
A jornalista estendeu essa mesma visão igualitária ao universo masculino, recorrendo mais uma vez ao humor: “E acho exactamente o mesmo para os homens. Sim, um homem pode ficar em casa com os filhos. Não lhe cai a barba. Se lhe cair, é outra questão“.
Além de defender a autodeterminação, Tânia Laranjo fez questão de assinalar o mérito histórico dos movimentos que garantiram a emancipação cívica e social: “Também agradeço ao feminismo muitas das lutas que travou. Graças a essas mulheres, hoje posso votar, trabalhar, estudar, fazer política e discordar de outras mulheres sem precisar de autorização do Ministério das Mulheres de Direita“.
Leia também: Morreu o rei Harald V da Noruega: Chefe de Estado português recorda líder “incansável”
A concluir a publicação, a jornalista vincou a sua recusa em aceitar tutelas ideológicas ou cartilhas sobre como deve viver e pensar: “Por isso, não preciso de uma representante. Sou mulher. Sou de direita. E, com alguma sorte, sou suficientemente livre para não precisar que ninguém me diga como isso deve funcionar”.
Ver esta publicação no Instagram