Curva da Vida. Nuno comove Portugal! Da morte da mãe ao último jantar com o pai: “Vi-os retirar o corpo do meu pai”
Nuno partilhou a sua comovente Curva da Vida, revelando a separação dos pais, lesões graves no futebol e a morte trágica da mãe e do pai
As portas da casa do ‘Big Brother Verão’ abriram-se para uma gala repleta de emoções esta terça-feira, 7 de julho.
Além das habituais nomeações e da segunda expulsão, a noite ficou marcada pela comovente ‘Curva da Vida’ de Nuno, que partilhou um testemunho de resiliência perante perdas avassaladoras.
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Nuno, nascido em Macau a 22 de novembro de 1997, cresceu numa família unida. Aos três anos, os seus pais separaram-se, um momento que o marcou profundamente. “Nunca me meteram na posição de escolher um ou outro”, recordou o concorrente, admitindo, no entanto, que foi uma “fase negativa” e que o “afeta bastante não ter os dois presentes ao mesmo tempo”.
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Aos 13 anos, a paixão pelo futebol levou-o a Inglaterra, onde foi estudar. Apesar de o pai valorizar muito a educação, Nuno tinha um objetivo claro: jogar. Com 14 anos, já alinhava na equipa da escola. Foi então que o sonho começou a tomar forma. “Houve um jogo em que um, na altura era um homem, veio falar com o meu treinador da minha equipa”, contou, revelando a abordagem de um olheiro do Manchester City. “Ele disse que um olheiro do Manchester City estava a perguntar por mim e que queria falar comigo. E foi assim que começou. Fui para o Manchester City.”
A notícia deixou o pai radiante. “Nunca tinha visto o meu pai sorrir assim, com um sorriso enorme”, confessou Nuno. A experiência no Manchester City durou cerca de nove a dez meses. Aos 18 anos, já no Sheffield Wednesday, preparava a pré-época na Áustria quando uma rotura de menisco o obrigou a parar. “Foi a primeira lesão que tive, assim, grave e tive que ser mesmo operado.”
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Recuperado, Nuno ingressou na universidade para estudar desporto. Nessa altura, o Harrogate Town mostrou interesse, e ele sentiu-se finalmente um jogador profissional. A equipa sagrou-se campeã, mas o contrato não foi renovado. Foi então que, aos 23 anos e em plena pandemia de Covid-19, decidiu regressar a Portugal.
Um empresário levou-o para Chaves, onde tudo “estava a correr-me muito bem”. Contudo, a meio da época, a vida voltou a desmoronar-se. A mãe ligou-lhe com a notícia devastadora: um cancro raro e incurável. “Isso custou-me muito”, desabafou. Nuno explicou que sempre escondeu as suas emoções, um hábito forjado na infância para não preocupar os pais com as saudades e o choro.
Voltou para Macau para estar ao lado da mãe. “Já a víamos, ela muito fraca. Já não sabia o que dizia, porque sofria de muitas dores. Passávamos dia e noite no hospital.” As memórias são dolorosas: “Dormíamos encostados à cama, sempre com as minhas mãos na mão dela.” Recorda o último abraço, partilhado com a irmã. “E parecia que ela estava mesmo à espera do abraço. E lembro-me do som da máquina.” Sem a mãe, estar em Macau deixou de fazer sentido. “A única coisa que queria era que a minha mãe estivesse orgulhosa de mim.”
Regressou a Portugal, para uma equipa em Albufeira. Precisava de voltar a jogar e treinar, a única forma de lidar com a perda. “Andava meio perdido.” Foi em Albufeira que encontrou um novo amor. Um namoro de quatro anos e meio, com a companheira a ir viver com ele e as suas cadelinhas – os “amores da minha vida”.
Mais tarde, uma proposta para jogar na China, em Guangzhou, perto de Macau, não correu como esperado. Decidiu então ir para Macau com o pai. O destino, porém, tinha mais uma tragédia guardada. “A 14 de fevereiro do ano passado fui jantar com o meu pai. Foi um jantar muito especial. Porque… foi o nosso último jantar.” Nessa noite, o pai fez questão de o abraçar, um gesto que Nuno ainda hoje não compreende.
No dia seguinte, as tentativas de contacto falharam. “Senti cá uma sensação um bocado estranha.” Ao chegarem ao apartamento, ele e a irmã encontraram o pai sem vida, deitado na mesa, vítima de um ataque cardíaco. “Vi-os a retirar o corpo do meu pai. Não tinha nenhum plano. Parece que perdi tudo o que tinha. Só tinha a minha irmã. Não sabia mesmo o que fazer.”
Mais uma vez, o futebol foi o seu refúgio. “A única maneira de não pensar no que tinha acontecido era dentro das quatro linhas.” Foi para o Must IPO, em Macau, e sagrou-se campeão. “É a medalha mais importante que tenho. E que dedico a ele”, referindo-se ao pai.
Do Must IPO, rumou ao Portimonense, regressando a Albufeira, onde se sentia “casa e paz”. Agora, no ‘Big Brother’, Nuno busca a felicidade. “Estou mesmo a viver um sonho. Cá só me vejo a sorrir, mas é verdade, estou mesmo feliz. Estou muito grato.”