Éder explica como Cristiano Ronaldo o ’empurrou’ para o microfone “Não estava preparado para aquilo”
"Estádios cheios a assobiarem" Éder revive o rescaldo do Euro 2016 e a perda de privacidade
O autor do golo que deu o título europeu a Portugal partilhou as memórias da chegada a solo nacional e a reação adversa dos franceses no seu regresso ao Lille.
Os dias que se seguiram à conquista do Euro 2016 trouxeram uma mudança radical à vida de Éder que, em entrevista ao «Alta Definição», da SIC, o antigo avançado recuou dez anos para recordar o contraste entre a euforia vivida em solo nacional e a receção hostil que enfrentou quando regressou a França, país onde atuava ao serviço do Lille.
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A viagem de regresso a Lisboa após a vitória frente à seleção francesa ficou marcada por momentos que o ex-futebolista descreve como inesquecíveis. “A viagem de avião de França até Lisboa parecia uma eternidade. Estávamos mesmo ansiosos por chegar a Portugal porque já havia ruídos de que as pessoas se estavam a juntar e que íamos ser recebidos de forma apoteótica“, relatou. “Quando ainda estamos no avião lá em cima, somos recebidos pelos caças. Para nós aquilo já tinha sido incrível. E depois quando aterrámos, o aeroporto, fantástico. Cachecóis, camisolas, e depois estar no autocarro, as pessoas pela estrada a celebrarem. Acho que dificilmente vou viver algo assim“, admitiu a Daniel Oliveira.
Durante as celebrações oficiais em Lisboa, Éder protagonizou um dos momentos mais virais da festa ao gritar ao microfone e, o antigo jogador explicou agora como tudo aconteceu nos bastidores do palco. “Estávamos no palco, o Ronaldo e o Fernando Santos falaram, eu tentava-me esconder lá atrás, não queria falar, não sabia o que havia de dizer. E o Ronaldo do nada chama-me e dá-me um microfone“, revelou, recordando a pressão do momento. “Eu dei umas palavrinhas e depois senti que podia soltar aquilo, podia dizer daquela forma. Saiu e acho que saiu bem. Hoje em dia as pessoas até acham piada, continuam-me a dizer ‘Ainda não é feriado’, mas acho que foi um momento engraçado“.
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Se em Portugal o estatuto passou a ser o de um verdadeiro herói nacional, o regresso ao trabalho em França revelou-se um desafio difícil pois, o avançado, que tinha chegado ao Lille seis meses antes por empréstimo para conseguir jogar e ir ao Europeu, deparou-se com um ambiente pesado. “No início foi uma receção muito boa, mas depois, claro, por estar em França, nas ruas as pessoas não eram assim tão simpáticas. Perguntavam: ‘Porquê que marcaste à França?’. É algo difícil de explicar. Tu defendes o teu país“, apontou, detalhando os episódios vividos dentro das quatro linhas: “Nos estádios, em todos os estádios onde eu jogava, no meu até também chegou a acontecer, estádios cheios a assobiarem, a insultarem. Portanto, não foi uma receção tão calorosa“.
A par das reações em França, o ex-atleta teve de aprender a lidar com o peso da fama repentina no seu dia a dia. “Foi uma confusão, porque é como se fosse do dia para a noite. Não estava de facto preparado para aquilo, porque lidar com a fama daquela forma não foi fácil“, confessou.
As saídas à rua transformaram-se em missões impossíveis. “Não conseguia ir a um restaurante descansado na altura. E é incrível, as pessoas reconheciam-me, estivesse eu de que forma estivesse, com capuz… não sei se reconheciam o meu andar. Era complicado“, rematou.
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