Em entrevista ao programa das tardes de sábado da SIC, o antigo avançado explicou como a infância moldou a sua abordagem na educação dos filhos.
A experiência da paternidade foi um dos temas centrais abordados por Éder na entrevista concedida a Daniel Oliveira pois, dois anos após a conquista em Paris, o antigo internacional português viu a sua vida transformar-se por completo com o nascimento do primeiro filho, um momento que descreve como um autêntico renascimento pessoal.
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A transição para esta nova fase foi vivida com intensa entrega, especialmente durante o período em que jogava na Rússia, onde as restrições da pandemia da COVID-19 endureceram a logística familiar. “Eu tinha muitas vezes que sair do centro de estágio a escondidas à noite para vir a casa e ficar com os meus, para ela poder dormir. Tinha um portão que abria, então saía à noite no meu quarto e depois chegava de manhã bem cedo“, revelou o antigo futebolista, sublinhando a importância de demonstrar empatia pelo desgaste que a mulher enfrentava numa fase em que sofria de privação de sono devido às cólicas do bebé. “Fiz noites, especialmente a seguir aos jogos ficava eu com os meninos. […] O rendimento não foi o melhor, confesso, mas aquela ajuda foi mesmo muito importante“, admitiu.
As memórias da sua própria infância, passada num colégio interno em Braga a partir dos cinco anos de idade, exercem uma influência direta na forma como desempenha o papel de pai e, Éder faz questão de estar presente em todos os momentos e de transmitir valores de humildade aos filhos, contextualizando a realidade privilegiada em que crescem hoje.
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“Vou contando também algumas coisas sobre o que eu tive, o que não tive, o que eles podem ter, o que eles têm agora, que na altura não era possível para mim. […] Os meus pais não tiveram oportunidade, penso eu. Independentemente do que aconteceu, não tiveram tanta oportunidade de o fazer. Mas eu tenho a noção que tenho que ser presente, tenho que estar lá“, defendeu.
O ex-jogador explicou que procura equilibrar a disciplina com a liberdade, incentivando atividades lúdicas como puzzles, xadrez e futebol no tapete da sala e, quando confrontado sobre as lacunas da sua infância, o antigo avançado explicou que vê nos filhos a oportunidade de fazer florescer traços de alegria que em si demoraram mais tempo a desenvolver. “O mais novo tem algo que eu achava que podia ter se crescesse de outra forma. Ou seja, tem uma semente que está a florescer de algo que eu se calhar queria ter quando era mais novo e ele tem. Portanto, ficou ali aquela semente que em mim não cresceu tanto à pressa, mas nele cresce“, concluiu.
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