O antigo internacional português esteve à conversa no programa conduzido por Daniel Oliveira, onde fez um balanço emotivo da última década.
Uma década depois de ter assinado o momento mais marcante da história do futebol português, Éder regressou à antena da SIC para uma entrevista conduzida por Daniel Oliveira. Aos 38 anos, o herói nacional recordou a mítica noite de Paris e abriu o coração para abordar as marcas de uma infância passada numa instituição, o calvário das lesões e o papel transformador que a paternidade assumiu na sua vida.
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O golo que garantiu o título europeu a Portugal continua muito presente na sua rotina, alimentado pelo carinho diário do público. “Todas as lembranças, as emoções, ainda consigo vivê-las. Continuo a arrepiar-me cada vez que as pessoas falam daquele momento. Cada vez que as pessoas partilham histórias comigo, tudo isso ainda está muito presente“, confessou, garantindo que o rótulo de homem do golo é “uma bênção, sem dúvida“.
O ex-futebolista descreveu a sensação singular que sente ao rever o lance: “A memória que eu tenho, especialmente quando eu fecho os olhos, é como se a minha alma tivesse ido do corpo, como se eu tivesse a ver um filme com um final feliz“.
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O percurso até à glória no Stade de France foi fortemente fustigado por problemas físicos, que moldaram a sua resiliência perante o escrutínio público. “Fui operado 8 vezes durante a minha carreira. Não foi fácil e fazer parte deste acontecimento para mim de facto deu muita paz e tranquilidade também“, sublinhou, admitindo que compreendeu a contestação dos adeptos na altura devido à quebra de rendimento. As adversidades começaram muito cedo, quando aos cinco anos foi entregue a um colégio em Braga por dificuldades económicas da família. “Quando se fala em resiliência, agora falamos em patinho feio, se calhar era o patinho feio desde a minha infância […]. Na instituição tens de ser forte. Mesmo em momentos que é impensável tu chores à frente de toda a gente, não tens hipótese. Pelo menos para mim era assim, não podes chorar“, recordou com seriedade.
A estabilidade emocional e familiar chegou a partir de 2016, ano em que conheceu a mulher belga durante a sua passagem pelo Lille e, a paternidade, iniciada em 2018 com o nascimento do primeiro filho, trouxe-lhe o sentido de missão que procurava. “Acho que todas as minhas vivências me fazem agora ser melhor pai, sentir que tenho algo para passar aos meus filhos. Não tenho nenhum manual, mas tenho uma série de apontamentos aqui dentro que me fazem querer ser melhor a cada dia“, explicou, assumindo-se muito presente nas rotinas dos menores.
A exposição da sua história familiar, incluindo a relação com o pai, foi desvalorizada pelo antigo atleta, que assegurou ter ultrapassado qualquer mágoa e hoje, o pai convive de perto com os netos, algo que preenche o ex-futebolista de orgulho. “Não há mágoas. Não, nenhuma. Nenhuma. Até porque, olhando bem, e não é por mim, há orgulho. Cada um faz o que pode, com o que pode, da forma que sabe, com os meios que tem“, vincou, revelando uma total pacificação com o seu trajeto de vida.
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