Numa publicação emotiva, o comunicador lembrou que o caminho até ao presente foi marcado por provações e deixou um apelo ao respeito mútuo.
Cláudio Ramos utilizou as suas plataformas digitais para partilhar uma longa e sentida reflexão sobre o encerramento do Mês do Orgulho, assinalado em junho e o apresentador revelou ter concedido uma entrevista radiofónica na quarta-feira, dia 1 de junho, onde a sua orientação sexual e a importância de debater abertamente estes temas voltaram a estar em plano de destaque.
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O apresentador da estação de Queluz de Baixo começou por recordar que a realidade social nem sempre foi recetiva à diversidade. “Fui dar uma entrevista hoje à rádio e voltámos a falar, naturalmente, da minha orientação sexual, do facto de falar abertamente sobre o assunto. Nem sempre foi assim. Falámos também da importância de se celebrar ou sinalar o orgulho durante o mês de junho. É justo que se faça, é óbvio que tem que se fazer, porque durante muito tempo a palavra “gay” vinha acolada à palavra “vergonha”“, constatou, fazendo uma retrospetiva histórica sobre as barreiras enfrentadas pela comunidade. “Para quem não sabe ou não se lembra, durante séculos amar alguém do mesmo género foi um crime. Uma doença, um pecado. Havia que esconder, baixar a voz. É verdade. Havia medo de andar de mão dada, medo de perder o emprego, medo de levar com um estalo ou uma cuspidela um insulto gratuito na rua, como ainda acontece hoje, infelizmente“, lamentou.
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Para Cláudio Ramos, as comemorações públicas constituem um tributo necessário àqueles que lutaram pelos direitos civis numa época de forte opressão. “Celebra-se o orgulho para lembrar todos os que lutaram quando ele era ilegal existir. Para lembrar quem foi preso, espancado, expulso de casa, morto só por amar. Orgulho é o contrário do silêncio que durante anos nos foi imposto. Celebra-se pela resistência. Porque ainda hoje há 64 países onde ser gay é crime. Ainda há miúdos a serem postos nas ruas com 14 anos, ainda há insultos, olhares, piadas. Enquanto houver alguém que diz que tem que sair do armário, pelo menos a mim, faz-me sentido assinalar o Orgulho em junho“, defendeu.
O profissional de televisão enalteceu as mudanças legislativas e sociais alcançadas nas últimas décadas, sem esquecer os sacrifícios exigidos durante o processo. “Celebra-se por como ele é para ser celebrado. Porque já se pode casar, adotar, andar de mão dada na rua. Mas como cada direito conquistado foi à base de chorar, de marchar, de muitos perderem amigos pelo caminho, cada vez que se celebra estamos a honrar aqueles que o fizeram por nós. O orgulho não é sobre ser melhor que ninguém. É sobre poder ser só“, explicou, direcionando de seguida uma palavra de conforto e esperança às novas gerações. “É dizer a um miúdo de 13 anos lá do meu Alentejo, que começa agora a perceber que gosta de rapazes, que ele não nasceu estragado, não está sozinho e que vai ficar tudo bem. Celebras porque a alegria também é, e deve ser, um ato político. Por isso junho vem cheio de cor para muitos. Por isso o orgulho importa. Importa para que se celebre cada um que o faça à sua maneira, ma sque se assinale como cada um entende fazê-lo, respeitando uns aos outros. Mas que se celebre para que não se esqueça que não se pode ter vergonha de amar. E é sobre isto que falamos. Sobre amar. Não acho que seja assim tão difícil perceber todas as pessoas que torcem o naris só porque não querem celebrá-lo. Que não o celebrem, mas que o respeitem“, rematou.
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Numa segunda nota partilhada com os seus seguidores, Cláudio Ramos debruçou-se sobre as marcas psicológicas deixadas pelo seu próprio percurso de afirmação pessoal, estabelecendo um paralelo entre o virar do milénio e a atualidade. “Hoje na rádio, perguntaram-me sobre o meu caminho enquanto homossexual, a minha experiência. Não foi um caminho fácil. Foi até muito difícil porque chegar aqui em 2000 não é estar em 2026 – e ainda bem – essas marcas ficam para a vida. Depois, entre outras coisas perguntaram-me se faz ainda sentido celebrar-se o Orgulho. Claro que faz sentido assinalar e celebrar para que não se continuem a marcar pessoas como se fossem gado. Assinalar como se deve assinalar a liberdade. De igual forma porque é de todos“, reiterou.
A fechar a sua intervenção, o apresentador sublinhou a importância de manter a atenção voltada para as causas estruturais da igualdade humana. “Junho acaba hoje e com ele mais um mês do Orgulho. Estamos em 2026 e ainda é importante que se olhe para a história e se perceba que o Orgulho tem muita razão de ser e não é uma coisa só porque sim. Sou dos que acha que a celebração é mais que uma bandeira. Não nos roubem o foco do que é importante. Celebrem, orgulhem-se e respeitem“, concluiu.
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