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De “Patinho Feio” a herói: Éder explica o verdadeiro significado da luva branca no Euro 2016

"Levaram imensamente mais do que mereciam": Ex-futebolista fala sobre desilusões após a fama

O antigo internacional português detalhou as dificuldades que enfrentou antes do sucesso em Paris e como encontrou força para responder aos ataques de que era alvo.

A história de resiliência de Éder culminou no golo decisivo do Euro 2016, mas o caminho até essa noite em Paris foi feito de muita contestação e dúvidas. No programa «Alta Definição», o antigo futebolista refletiu sobre as críticas que antecederam o torneio e desvendou o significado oculto de uma das imagens de marca das suas celebrações: a luva branca.

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Questionado por Daniel Oliveira sobre se a frase “os outros podem desistir de mim, mas eu não” ainda o define, Éder foi perentório. “Sim, sem dúvida. Sobretudo pelo meu passado. Porque quando se fala em resiliência, agora falamos em patinho feio, se calhar eu era o patinho feio desde a minha infância, porque passei por várias situações“, começou por explicar, aludindo aos desafios de ter crescido numa instituição em Braga e às limitações na sua formação desportiva. “Tudo isso fez com que eu pudesse usar a luva branca. Foi com esse significado que festejei com a luva branca, que era dar uma chapada em todas as adversidades que passei e que me fazem ser o homem de hoje“, revelou.

A reviravolta na perceção do público, que passou do escárnio ao aplauso após o golo contra a França, não deixou marcas negativas no ex-jogador, que assegura ter compreendido a exigência dos adeptos face ao seu histórico clínico na altura.

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A crítica é normal e eu entendi a crítica. Até porque eu sentia-me inconformado com aquilo que estava a fazer comigo mesmo. Lesionei-me várias vezes, fui operado várias vezes. E sentir que o meu corpo não respondia da forma como eu queria […] faz com que crie dúvida“, justificou. No final, o saldo acabou por ser altamente positivo: “O facto de poder ter contribuído para um momento que encheu o coração de muita gente, acho que é isso que fica“.

Apesar da harmonia com o seu percurso desportivo, o antigo avançado não escondeu que o estatuto alcançado trouxe consigo algumas desilusões nas relações interpessoais e, Éder confessou que, nalguns momentos, sentiu que se tentaram aproveitar da sua posição. “Durante o meu percurso eu aprendi que tu deves partilhar, que tu deves ajudar. […] Eu sinto que dei, sempre tentei ajudar. Mas agora fico com a sensação que receberam mais, muito mais, imensamente mais do que mereciam“, desabafou.

Ainda assim, o antigo internacional recusa alimentar rancores em relação a essas situações pois, quando questionado se sente que alguém lhe deve um pedido de desculpas, a resposta focou-se na sua própria responsabilidade perante a abertura que concedeu aos outros. “Talvez eu a mim mesmo, por tê-lo feito. […] Quando fazem mal a alguém, tu acabas por ser o responsável, porque tu é que dás abertura”, analisou. Para lidar com as desilusões, Éder aplica uma estratégia clara de distanciamento. “Numa primeira fase desligo, porque sei que tenho que seguir em frente“, rematou.

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