Daniel Podence emociona-se em despedida a Cristiano Ronaldo: “Obrigado Bicho”
Numa longa carta de despedida, o avançado recordou os momentos partilhados com o capitão.

O adeus de Cristiano Ronaldo aos trabalhos da seleção nacional, aos 41 anos, motivou uma reação sentida por parte de Daniel Podence.
Na noite de sábado, 7 de novembro, o jogador recorreu às redes sociais para publicar um testemunho dedicado ao antigo companheiro de balneário, destacando a convivência que partilharam e a forma como o percurso de CR7 moldou várias gerações.
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Logo no arranque da publicação, Podence assumiu a dificuldade em encontrar os termos certos perante a dimensão da carreira internacional do capitão: “Muito difícil escrever-te uma despedida nestes termos. Nada soa como deve ser, nem consegue transmitir o que fizeste por nós ou por mim, enquanto país, cidadãos ou jogadores/desportistas. Muito menos agradecer-te da forma devida. É me inconcebível deixar-te ir assim e dizer apenas “vais fazer muita falta” ou “foste enorme, vamos ter muitas saudades“. Quando, na verdade, ganhaste o direito de continuar a fazer o que mais gostas, por quem gostas, onde gostas e durante quanto tempo quiseres”.
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As memórias da infância e os primeiros passos no futebol profissional surgem como ponto fulcral no texto. Podence recuou aos tempos da academia leonina para contextualizar a admiração que sempre nutriu pelo avançado madeirense: “Mas, claro está, não te posso deixar de dedicar algumas palavras num momento em que te despedes de uma carreira ao nível das seleções, onde vivi, provavelmente, um dos maiores prazeres da minha vida. Para ser sincero, não sei o que será mais significativo para mim: ter representado Portugal ou ter partilhado contigo o balneário e tantos outros momentos. Pode parecer excessivo, mas é esta a grandeza que vejo em ti. Porquê? Talvez porque, quando cheguei ao Sporting (porque também tu foste lá formado, escolhido a dedo pelo Sr Aurélio Pereira), ainda miúdo, eras tu quem estava nas bocas do mundo, fosse no United ou já no Euro 2004. Tinha eu 9 anos!”.
A transição para o plantel principal trouxe-lhe a noção exata das exigências do desporto de elite, algo que associou diretamente ao trajeto do compatriota: “Talvez porque, quando cheguei a profissional, no mesmo clube que tu, depois de 10/11 anos a ouvir falar de ti e a beber daquilo que tu bebeste, enquanto conquistavas inúmeros troféus individuais e coletivos, como infinitas Bolas de Ouro e Champions, percebi o quão difícil e incrível era chegar onde eu tinha chegado”.
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Mais à frente, o jogador vincou a vertente humana e o temperamento de Ronaldo que conheceu nos bastidores, longe dos holofotes: “Talvez porque, quando te conheci, ao contrário do que acontece com muita gente, percebi o quão inteligente, ambicioso, humildade q.b. e diferente és. E aceitei perfeitamente isso, assim como todos os teus defeitos. Defeitos esses que também te ajudaram a ser o melhor de sempre. Talvez porque começaste a jogar futebol antes de mim, eu já estou nos 30’s e tu continuas a jogar, a um nível incrivelmente bom. E mais de metade do mundo não faz ideia da dificuldade que isso representa e do que exige”.
Para Podence, a fasquia estabelecida pelo internacional português quebrou barreiras históricas no desporto luso e mundial: “Talvez porque aquilo que fizeste e conquistaste nunca tinha sido visto por nenhum ser humano no mundo, muito menos por um português. E, há pouco, falei de Bolas de Ouro e Champions com uma leviandade e normalidade que não são, nunca foram, supostas ou sequer reais. Com isso, fizeste-me a mim e a milhões de portugueses falar, acreditar e viver o futebol e a vida de uma forma completamente distinta de tudo o que, até então, tinha sido possível. Fizeste-nos sonhar com coisas desde o teu primeiro Europeu com a Seleção. Tinha eu 9 anos!”.
A fechar a mensagem de homenagem, Podence expressou o reconhecimento pelo legado e pela convivência que ambos tiveram dentro e fora dos relvados: “Como é possível sequer? E, novamente, talvez porque, ano após ano, sendo ora o 1.º, ora o 2.º melhor do mundo, estiveste sempre lá em cima, sustentado pela tua disciplina, arrogância necessária, crença e fé. Características com as quais me identifico bastante. Por estes poucos “talvez”, agradeço-te muito por ter partilhado tantos momentos contigo, dentro e fora do campo! Por teres sido quem foste e és! E por me teres inspirado a ser melhor durante toda a minha vida. Será sempre pouco dizer que vou sentir a tua falta dentro das quatro linhas… Mas, novamente, sou grato por ter vivido na mesma era que tu! E, como tu dizias, daqui a 20/30 anos vou estar numa taberna qualquer a falar de ti e daquilo que te vi fazer. Com todo o gosto. Obrigado Bicho”.