Dez anos depois, Maria João Bastos desabafa no Alta Definição: “Sofri muito com a morte dela”
O luto canino e a dura batalha judicial marcaram o percurso da atriz na última década. A morte inesperada de Amélie levou a estrela das novelas a deixar um alerta sobre o sofrimento animal.
Assinalam-se dez anos desde o dia 2 de abril de 2016, data em que a cadela Chihuahua de Maria João Bastos, Amélie, perdeu a vida na sequência de uma destartarização.
Na altura, a atriz expôs a situação nas redes sociais e lançou fortes críticas à clínica veterinária responsável pelo procedimento, desencadeando uma grande polémica pública e um longo processo judicial.
Foi através de uma publicação no Facebook que a atriz detalhou o calvário enfrentado, depois de exames terem atestado que a cadela estava bem de saúde. “A Amélie não dormiu um minuto sequer e o seu estado de sofrimento manteve-se sempre igual, desde que saiu da clínica. A minha Amélie percebia tudo, nesse momento, encostou-se a mim a pedir-me mimo, deu-me um ultimo beijo, o único da noite, não por falta de vontade mas porque provavelmente as dores não lhe permitiam. Eu abracei-a e prometi que tudo ia ficar bem, que íamos ao hospital e que ela ia ficar bem”, relatou na altura. O estado clínico da cadela agravou-se logo a seguir. “Quando nos estávamos a preparar para sair, a Amélie foi beber um pouco de água e, de repente, em segundos, e sem que nada fizesse prever este desfecho, caiu para o lado no chão da cozinha, a deitar muito sangue pela boca”, descreveu Maria João Bastos, assegurando que, na chegada ao hospital veterinário, o animal “entrou a respirar”.
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A exposição do caso levou a que a atriz e a irmã, Inês Bastos, fossem acusadas de difamação e ofensa a pessoa coletiva pela clínica em questão. Durante o julgamento, a atriz prestou um depoimento emotivo, afirmando: “Não tenho filhos. Tinha a Amélie”. Questionada pelo advogado da acusação, defendeu o seu lado com veemência: “A Amélie não era apenas um cão, era a minha princesa com quem eu partilhava a vida, de quem eu cuidava e a quem eu respeitava. E esse amor por ela também deve ser respeitado, seja qual for a opinião de cada um”.
A absolvição das irmãs chegou em 2018. A decisão do tribunal, partilhada por Maria João Bastos, sublinhava que “Tudo o que esta arguida afirmou foi, legitimamente, colocar dúvidas que, como cliente, tem toda a legitimidade para colocar“. Na mesma linha, a atriz reforçou que “O Ministério Público não acompanhou a acusação particular por considerar que não me era imputável a prática de tais crimes.”
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Uma década passada sobre a tragédia, a ferida ainda se faz sentir. Em entrevista a Daniel Oliveira, no Alta Definição deste sábado, dia 25 de abril, a atriz assumiu as marcas deixadas. “Fiquei muito abatida, muito em baixo, tinha perdido a minha companhia, o ser que eu protegia, que eu cuidava”, revelou. Para lidar com a dor, procurou ajuda na literatura e começou a ler “sobre o luto canino e é impressionante até aconselho as pessoas tanto as que desvalorizam, como as que passam por isso e que sentem ‘meu Deus, eu estou a viver tanto isto’.”
O processo de aceitação exigiu tempo. “Leiam sobre o luto canino e vão perceber que não estão a viver tanto assim, que faz parte, que é um processo, um ser que depende de nós, que cria laços especiais. E, na altura, permiti-me viver esse luto. Sofri muito com a morte dela e claro que obviamente foi potenciado com toda a situação mediática e com o tribunal, foi muito forte, mas foi também o que me apaziguou”, concluiu.
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