Em conversa com Júlia Pinheiro, o ator detalhou os bastidores de uma expedição perigosa a um dos países mais fechados do mundo, onde viajou de forma clandestina para honrar as raízes da sua família.
A sede de aventura de Ângelo Rodrigues quase o levou a um destino complicado com as autoridades africanas e, durante uma entrevista concedida a Júlia Pinheiro esta quinta-feira, 23 de abril, na SIC, o ator abriu o livro sobre uma expedição realizada em 2024 à Mauritânia, um país desértico e marcado pelo fundamentalismo religioso, onde tentou gravar um documentário sobre a subsistência local.
O ponto alto da viagem e também, o mais perigoso, foi a travessia no famoso comboio de minério de ferro, uma composição de 250 vagões que atravessa o deserto. “Como é que uma pessoa se mete em cima de um comboio durante 18 horas, de forma clandestina?“, questionou a apresentadora, ao que o ator respondeu com o desejo de ligar o seu presente às raízes da sua família, ligada ao mar e à pesca.
No entanto, a realidade no terreno revelou-se hostil e Ângelo confessou que, devido ao conservadorismo da região, filmar foi uma tarefa quase impossível. “A todos os lugares onde eu chegava, era uma questão de minutos até chegar a polícia“, revelou.
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O ator e a sua equipa foram interpelados pelas autoridades cinco ou seis vezes, enfrentando a inflexibilidade dos agentes locais que desconfiavam das suas intenções. “Acho que tem a ver com a ideia do imperialismo americano, eles podem achar que somos espiões“, explicou.
Apesar de ter enfrentado o medo e a constante vigilância policial, Ângelo Rodrigues conseguiu concluir o seu projeto.
O documentário, que promete mostrar imagens inéditas desta jornada de 18 horas em cima de toneladas de ferro sob o calor do deserto, tem estreia prevista para breve e o ator reforçou que, além da adrenalina, esta viagem foi uma busca antropológica para entender como um povo que vive no deserto consegue manter a tradição da pesca como forma de vida.