O tributo a Cândido Mota e o “incêndio de falsas notícias”: A crónica frontal de Luís Osório
O histórico comunicador foi alvo de falsos rumores sobre o seu falecimento. Através das suas plataformas, o cronista refletiu sobre o peso do luto digital e elogiou o legado da rádio.
Cândido Mota, figura incontornável da rádio portuguesa e icónica voz do programa “Passageiro da Noite”, encontra-se internado em estado de saúde muito grave.
A fragilidade clínica do radialista desencadeou, de forma precipitada, a propagação de falsos rumores sobre a sua morte em diversas redes sociais ao longo das últimas horas.
Perante a partilha infundada da notícia, Luís Osório decidiu dedicar a sua crónica de ontem no Diário de Notícias (DN) ao histórico comunicador. O texto, que o jornalista também fez questão de partilhar com os seus leitores através das suas plataformas digitais, serve não só de tributo à humanidade de Cândido Mota no exercício da sua profissão, mas também como uma dura crítica àqueles que partilham desinformação em busca de protagonismo na hora do luto.
Leia também: Surpresa no Desafio Final: Liliana entra na casa e Zé fica de fora à última hora
Sem cortar qualquer palavra à sua reflexão original, leia na íntegra o texto publicado por Luís Osório: “Cândido Mota está internado e é grave, muito. Pode recuperar ou resolver partir. Está cansado o homem que, numa madrugada de há uns anos, sentiu o inconfundível bafo da loucura depois de receber o telefonema de um ouvinte no célebre Passageiro da Noite, programa em que falava com pessoas incapazes de dormir pelo peso que alombavam. Ninguém fazia aquilo tão bem como ele, era empático, culto, direto, nada paternalista – numa palavra, humano.
Nas redes sociais, centenas deram a notícia que morrera, algumas delas com responsabilidades, gente que critica as fake news, mas que depois propaga o incêndio das falsas notícias sem comprovar a veracidade do que publicam. Cândido tinha morrido e uma parte do país celebrou-o enquanto bebia o café da manhã e engolia uma torrada. Estávamos a homenageá-lo como o fazemos com qualquer morte, como carpideiras que precisam desesperadamente de dar nota aos outros da sua tristeza.
Leia também: Audiências: Revelação do vencedor da Casa dos Segredos para o país e atinge pico impressionante
Deu-me para isto, peço-lhe desculpa. Se somarmos todos os que por nós passam – íntimos e família, amigos e conhecidos, vizinhos, amantes, figuras públicas que nos entram em casa e todos os outros –, concluiremos que pouco ou nada sabemos sobre a maioria. O que nos deixa numa posição desconfortável e sublime: a de estarmos por nossa conta, anónimos para a maioria, como a maioria é anónima para nós. Avançamos livres e desamparados. Pelo menos enquanto aqui estivermos, como o Cândido Mota que está indeciso se parte ou se fica numa madrugada onde continua a ser o melhor entre todos os passageiros da noite.”
Ver esta publicação no Instagram