O falecimento precoce de Diogo Jota gerou uma onda de consternação à escala global, mas foi em Inglaterra, particularmente em Liverpool, que o choque assumiu proporções de luto profundo.
A biografia oficial assinada por José Manuel Delgado explora esta ligação umbilical entre o português e a cidade dos Beatles.
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Durante a recolha de testemunhos, o autor viajou até terras de Sua Majestade e conversou com adeptos, dirigentes, treinadores e elementos do staff para perceber a verdadeira dimensão de Jota. Uma das conclusões mais impressionantes partiu diretamente da claque afeta ao clube inglês, que via no atleta um espelho da sua própria classe operária: “Falei, por exemplo, com o porta-voz do sindicato dos adeptos (…) e percebi que eles consideravam o Diogo Jota um deles, e diziam que ele era tão letal como goleador, como jogador de área, como o Robbie Fowler. O Robbie Fowler nasceu aqui em Liverpool, mas o Diogo podia perfeitamente ter nascido em Liverpool, porque ele era um dos nossos. E foram mais longe ainda e disseram uma frase que me pareceu absolutamente fantástica. Disseram: se cada adepto do Liverpool, daqueles que têm que tirar muitas vezes às férias, aos fins de semana, aos jantares fora, para terem dinheiro para irem ver os jogos de Liverpool, se cada um deles estivesse feito para jogar futebol, gostava de ser o Diogo Jota, porque dava tudo pela camisola”.
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O carinho não se ficava pelas bancadas de Anfield Road. O comportamento de Diogo no dia a dia com os funcionários do clube revelava uma empatia singular. José Manuel Delgado partilhou na BOLA TV um episódio relatado pelo cozinheiro da equipa, que ilustra bem a humanidade do jogador durante um voo onde necessitava de repousar devido a uma lesão: “O Diogo era diferente, porque houve um jogo em que o Diogo se lesionou e eu vim ao lado dele no avião e ele precisava de esticar a perna. E eu saí, dei o meu lugar e fui-me sentar no outro lado. E o Diogo veio com a perna esticada. No dia seguinte, o Diogo foi à cozinha, de propósito, agradecer o facto de eu me ter levantado e ter-lhe dado o lugar”.
No balneário, as histórias sucedem-se. Entre treinadores de elite como Jurgen Klopp ou Arne Slot, o ambiente era de enorme respeito profissional, mas era com alguns veteranos que Diogo mostrava a sua faceta mais teimosa e argumentativa. A relação com James Milner, antigo capitão e histórico da Premier League, ficou marcada por longos debates sobre os temas mais banais.
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“Eram lendárias no Liverpool as discussões entre o Diogo Jota e o James Milner, que discutiam só pelo prazer de argumentar. E muitas vezes, eles tinham mesas certas, às vezes eles ficavam uma hora, depois dos outros se levantarem, uma hora à mesa a discutir e eu perguntei, mas sobre o quê? E a resposta acho que foi Jordan Henderson que disse: sei lá, discutiam se a chuva estava fria, se o sol estava quente, qualquer coisa servia para eles estarem ali a argumentar e tinham prazer nisso. O Milner dizia: nós temos personalidades muito semelhantes e se calhar era por isso que nos dávamos tão bem”, recordou o autor da biografia, deixando a promessa de que as mais de 200 páginas da obra trazem muitos mais pormenores inéditos sobre a passagem do eterno camisola 20 por Inglaterra.