Fernando Santos revela bastidores da final de 2016 e as lágrimas de Cristiano Ronaldo
A dez anos da conquista europeia, o treinador detalhou a influência do avançado português dentro e fora das quatro linhas.

Fernando Santos foi o primeiro convidado do podcast Hora Bolas!, uma produção da RTP Antena 1 e RTP Notícias.
A dez anos da histórica conquista do Euro 2016, o antigo selecionador nacional recordou os momentos mais marcantes da competição, dedicando especial atenção ao papel fundamental de Cristiano Ronaldo em todo o percurso da equipa das quinas rumo à glória europeia.
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Durante a entrevista conduzida por Gonçalo Ventura e Manuel Fernandes Silva, o treinador assumiu com frontalidade que a equipa foi estruturada em função do seu capitão. Sobre a importância do avançado, Fernando Santos confessou: “O Ronaldo foi o jogador mais importante do Campeonato da Europa. A equipa foi montada à volta dele. Eu nunca escondo aquilo que faço.” O técnico explicou que, num balneário repleto de atletas de enorme qualidade, era essencial definir que o grupo seria ele e mais dez, destacando a transparência com que essa mensagem foi aceite por todos.
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A liderança de Cristiano Ronaldo fez-se sentir em vários momentos críticos da prova, nomeadamente na marcação de grandes penalidades frente à Polónia. O técnico recordou o episódio em que João Moutinho hesitou em bater o penálti e foi encorajado pelo capitão, que o chamou para assumir a responsabilidade. O selecionador sublinhou que essa intervenção foi vital para a passagem à meia-final: “O Cristiano nessas coisas teve uma influência decisiva.”
No entanto, o momento de maior superação para o jogador e para o treinador aconteceu na final contra a França, quando Cristiano Ronaldo saiu lesionado nos minutos iniciais do encontro. Fernando Santos admitiu as dificuldades de gestão perante esse infortúnio imprevisto: “Não tive tempo para chorar a perda do Cristiano. Tínhamos um objetivo naquele jogo e tínhamos que continuar a persegui-lo.”
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Apesar da dor física e anímica, o capitão assumiu um papel crucial no balneário durante o tempo de descanso. O técnico revelou que, após as necessárias alterações táticas, o camisola sete pediu a palavra para se dirigir ao grupo: “Ele pede a palavra e faz uma pelas colegas. Fortíssimo. O que é que ele diz? Diz assim, eu não estou, mas vocês são que vão ganhar. E vocês vão conseguir.”
A emoção sentida no balneário foi destacada pelo antigo selecionador, que descreveu o estado de fragilidade e força do jogador: “Quem está em lágrimas, como ele estava, ele estava em lágrimas. O sonho dele, ele achou que já podia ter desaparecido ali. E ele é o primeiro, depois de eu falar, pede para falar e vai para cima, positivamente, criar uma força enorme nos jogadores.”
Nos minutos finais do prolongamento, Cristiano Ronaldo juntou-se a Fernando Santos na área técnica para dar indicações e apoiar os colegas de equipa, num esforço conjunto que culminou com a conquista do título e que levou o treinador a garantir que o capitão foi a verdadeira peça angular daquele campeonato.