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Filipa Torrinha alerta para a manipulação e desinformação após afirmações de Rute Sousa sobre aborto

"Informação falsa passada de maneira dissimulada": Comentadora apela à formação cívica no «Passadeira Vermelha»

O impacto da partilha de estatísticas parciais e o papel dos algoritmos na validação de ideias radicais marcaram a análise às declarações da porta-voz do movimento conservador.

O debate promovido pela SIC Notícias sobre o movimento de mulheres conservadoras continuou a gerar fortes reações na emissão do «Passadeira Vermelha», na SIC Caras. Em causa estiveram as declarações polémicas de Rute Sousa, que se manifestou categoricamente contra a interrupção voluntária da gravidez em qualquer cenário, incluindo situações resultantes de crime de violação, apresentando números da Direção-Geral da Saúde para sustentar a sua posição.

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Perante as imagens exibidas no programa conduzido por Liliana Campos, Filipa Torrinha contestou a fiabilidade do discurso apresentado pela convidada da estação informativa, acusando-a de recorrer a métodos enviesados para influenciar os telespectadores. “Temos que, com educação, com respeito, com assertividade e nunca com agressividade, criar, termos nós a voz do movimento contrário. Sobretudo informarmos as pessoas como é que as coisas funcionam. Informarmos as pessoas que existem técnicas de estarem presentes nestes debates para manipular a audiência, que existem desinformação e que as pessoas têm que fazer o fact-checking a toda hora“, sublinhou a psicóloga.

Confrontada por Carolina Ortigão sobre a natureza exata das acusações formuladas em estúdio, Filipa Torrinha detalhou o impacto da propagação de elementos dúbios no meio digital e tradicional: “A desinformação tem a ver com quantidade de dados que não são verdadeiros ou que são semiverdadeiros e passados de maneira, digamos, dissimulada. E são vários este tipo de dados“.

A comentadora chamou a atenção para o papel das redes sociais na amplificação deste tipo de narrativas: “Existe uma coisa que é o algoritmo e o pensamento que vem através do algoritmo (…) No mundo atual que vivemos o algoritmo é um rastilho e é muito rápido a informação falsa ser passada e nós irmos engolindo sem nos apercebermos (…) O meu apelo se puder valer alguma coisa é que as pessoas na sua intimidade estudem, invistam naquilo que é a sua formação em relação a estas temáticas e que procurem saber mais“.

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Carolina Ortigão manifestou igualmente preocupação com a exatidão dos dados avançados no espaço público, prometendo averiguar o teor das estatísticas apresentadas. “Se as pessoas absorveram aquilo que ela disse (…) estás a dizer é que ela dá informações que são falsas, isso seria gravíssimo. As pessoas podem ir confirmar e testar se aqueles valores são verdadeiros ou falsos (…) Eu presumo, eu admito, eu acredito que aqueles números são verdadeiros. Agora vou ver se são verdadeiros ou não (…) Porque eu não posso ir agora para a televisão debater ferozmente um assunto e depois dar e mandar para o ar números falsos“, alertou.

Liliana Campos recordou a forma como as percentagens foram expostas perante a opinião pública: “Um dos números que ela lançou e que baralha as pessoas foi que ela falou no número de mulheres que fazem aborto em Portugal, e depois disse que 80 e tal delas são violadas“.

A rematar o tema, Filipa Torrinha reiterou que a transmissão seletiva de parâmetros numéricos obedece a estratégias de comunicação intencionais: “E a maneira como isso é dado ao público é muito específico. E portanto, há aqui… isto são técnicas comerciais“.

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