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Filipa Torrinha ‘condena’ discurso sobre aborto de Rute Sousa e garante: “Estas pessoas utilizam técnicas pérfidas”

"Não me importo de ser apelidada de radical pelos direitos humanos", diz a psicóloga no «Passadeira Vermelha»

No programa da SIC Caras, a psicóloga sublinhou que a defesa das garantias fundamentais não pode ceder perante discursos extremistas.

As declarações de Rute Sousa, representante do recém-criado Movimento Mulheres Conservadoras, durante um debate na SIC Notícias, motivaram uma reação acesa de Filipa Torrinha na emissão desta quinta-feira, 20 de agosto, do «Passadeira Vermelha», na SIC Caras pois, quando confrontada com a posição da Rute Sousa, que se manifestou absolutamente contra a interrupção voluntária da gravidez em qualquer cenário, incluindo situações de violação, a comentadora vincou os limites da convivência democrática.

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Esta situação fez-me lembrar um bocadinho o paradoxo de Popper, do filósofo que basicamente diz que a tolerância ilimitada leva ao fim da tolerância. E o que eu acho aqui em relação a alguns movimentos, este é um deles, é que nós não podemos ser tolerantes (…) Não podemos ser tolerantes quando nos estão a ser retirados direitos, aos seres humanos, a nós mulheres em específico, às minorias em particular. E com um ato perverso, pérfido, que tem a ver com a forma como estas pessoas disseminam informação que não é verdadeira“, argumentou a comentadora.

A psicóloga fez questão de salientar a contradição entre a liberdade conquistada pelas mulheres e o propósito defendido pelo novo grupo social. “A realidade aqui é que o feminismo deu a estas senhoras, e muito bem, o poder de elas terem uma voz. Mas depois elas viram-se contra este mesmo feminismo que lhes deu este palco. O feminismo (…) simplesmente quer dar-nos escolha e estas senhoras querem tirar-nos a escolha e a liberdade. Então nestes casos não há tolerância, não pode haver“, apontou, concluindo: “Eu não me importo nada de ser apelidada como radical quando se fala em direitos humanos“.

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