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GNR explica acidente na Volta a Portugal: “Não estava nenhum militar no local… ” e condutor pode não ser acusado de nada

Carlos Canatário esclarece: a viatura “não vinha em contramão”… mas o desfecho foi trágico

Tenente-Coronel Carlos Canatário, porta-voz da GNR, expressou as “sentidas condolências” da corporação à família, amigos e equipa de Finlay Tarling.

O ciclista galês de 19 anos morreu na 5.ª feira, 14 de agosto de 2026, depois de ser atropelado durante a oitava etapa da Volta a Portugal, um incidente trágico que levou à suspensão da prova.

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Canatário não hesitou em afirmar que o dispositivo de segurança da Volta existe “precisamente para procurar evitar este tipo de situações”, e que deve “garantir” a segurança dos ciclistas.

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A segurança da Volta a Portugal em bicicleta, explicou o responsável, é um desafio complexo. A prova atravessa inúmeras etapas, estende-se por muitos quilómetros e tem “centenas os acessos” ao longo de cada troço. Além disso, a Volta é um “espetáculo desportivo de proximidade”, que se desenrola em via pública, passando por aldeias, vilas e cidades. Esta característica, lembrou Carlos Canatário, aumenta exponencialmente o número de pontos a monitorizar.

A GNR, por “ser humanamente impossível” colocar um militar em cada acesso ou quilómetro, opta por “selecionar e priorizar” os locais onde a presença de pessoas e viaturas é mais provável. Nesses pontos, há “presença física com militares da Guarda”. Nos restantes, a sinalização é a aposta: baias, fitas e outros elementos visíveis. O acesso onde ocorreu o acidente, no entanto, era “secundário” e não estava entre os prioritários para a presença de efetivos. Apesar disso, o porta-voz garantiu que estava “sinalizado”.

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A complexidade não se fica por aqui. Dezenas, por vezes centenas, de viaturas são estacionadas momentaneamente nas bermas. Há ainda as habitações com acesso direto à via por onde passam os ciclistas. “Isto apenas para dar nota da complexidade de garantir a segurança em todos estes troços num percurso que é sempre dinâmico”, resumiu Canatário.

Para complementar o dispositivo fixo, a GNR mobiliza um “dispositivo de segurança móvel”, o conhecido destacamento de trânsito eventual. Esta equipa, composta por “22 motos e 4 carros”, acompanha “toda a caravana”, procurando “garantir que não há entradas” indevidas na pista.

O porta-voz assegurou que “aquilo que estava planeado fazer foi feito, não houve desvios na operacionalização do planeamento”. No local específico do acidente, confirmou, “não estava nenhum militar, porque não era um dos locais que tinha sido priorizado na avaliação que tinha sido feita”.

A GNR está agora a tentar apurar “que tipo de sinalização estava naquele local e se alguma sinalização foi removida ou não”, isto porque “existiam pessoas naquele local” que “haverão de ter assistido à etapa”.

Os procedimentos do dispositivo móvel, tanto dos carros como das motos que circulam na traseira da caravana, junto ao carro-vassoura, foram cumpridos. Contudo, no momento do acidente, “o pelotão estava partido em três”, havia fugitivos à frente, o pelotão principal e “três ciclistas que tinham ficado para trás”. Finlay Tarling, infelizmente, era um deles.

O dispositivo móvel, explicou Carlos Canatário, tem de se “adaptar sistematicamente” à configuração do pelotão, que “vai mudando” ao longo da prova. As motos têm de abrandar, encostar e verificar se há ciclistas a descolar.

Nesse momento, havia “três ciclistas para trás”. O “último carro que vem sempre junto ao carro de vassoura e tínhamos as duas motas habituais” estavam a desdobrar-se para acompanhar os “três ciclistas que começaram espaçadamente a descolar do pelotão”.

Finlay Tarling, contou o Tenente-Coronel, estava “junto, próximo, em apoio, em cobertura da sua viatura da equipa em apoio”. A colisão deu-se numa descida, quando o ciclista “ganha velocidade” depois de uma subida. Nesse exato momento, o jovem “soltou-se da viatura de apoio e a mota da GNR não conseguiu acompanhá-lo”, porque estava a fazer o desdobramento da equipa. Foi, sublinhou Canatário, “uma conjugação de diversos fatores que levaram a este desfecho”.

A viatura que entrou no troço, em circunstâncias ainda por apurar, trouxe outro dado importante. O condutor, antes do embate, “esteve parado nesse acesso e deixou passar o pelotão”. Perante a ausência de mais ciclistas, o condutor “perguntou se podia avançar”. A quem? “Alegadamente a populares que estavam no local”, disse Canatário, ressalvando que “muitas das vezes há coisas que demoram algum tempo” a serem esclarecidas.

O condutor, nas suas declarações, alegou ter perguntado a pessoas que assistiam à prova e que estas lhe terão dito que “já tinha passado e que podia avançar”. Referiu ainda que viu “outras viaturas a circular”. Foi nesse momento que avançou, “ainda sem ter passado o carro-vassoura e os três ciclistas, mais a nossa viatura, mais viaturas de apoio”.

As motos de apoio e o carro traseiro, juntamente com a ambulância e o carro-vassoura, “não assistiram à colisão, mas chegaram imediatamente a seguir”.

Carlos Canatário fez questão de clarificar a dinâmica do embate: “A viatura não vinha em contramão. Vinha na via da direita, na sua mão. Vinha era em sentido contrário ao sentido da prova.” O ciclista, por seu lado, “cortou a curva pela via mais à esquerda”, como é “natural” para os ciclistas. “Foi isso que fez com que o ciclista e a viatura colidissem”, explicou.

Sobre a possibilidade de o condutor ser acusado de algum crime, o porta-voz da GNR não pode “avançar a 100% com essa informação”. “Alegadamente, não”, adiantou, mas o inquérito “há de correr e há de recolher mais prova, que demora algum tempo”. As declarações iniciais do condutor, admitiu Canatário, podem ter sido “um bocadinho dúbias”, pois o homem estava “em estado de choque, como é natural”. Todos os testes realizados confirmaram que o condutor “não apresentava indícios de álcool ou de substâncias psicotrópicas no sangue”.

O inquérito, sublinhou Carlos Canatário, decorre “com todo o profissionalismo e responsabilidade”, visando “saber que falhas existiram, que conjunto de fatores levaram a este trágico desfecho”. A GNR “procura descobrir os erros, porque não gosta de errar, como é natural. E palmatá-los, no caso de ter havido alguma falha grave da guarda”. Por fim, o porta-voz deixou um “apelo à população” para que cumpra “as regras que são dadas” e que “só circulem depois do fim da prova, que está devidamente assinalado com a viatura da guarda”.

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