Harald V, o monarca mais velho da Europa, morre aos 89 anos: Reinou por mais de 35 anos
Ao ascender ao trono em 1991, Harald adotou o lema "Tudo pela Noruega" do pai e avô, coincidindo com a expansão económica do país.
O Palácio Real norueguês confirmou a morte de Harald V esta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, às 6h35, no Hospital Nacional de Oslo.
O monarca, de 89 anos, estava internado desde meados de agosto, a receber tratamento para uma rara doença sanguínea, anemia hemolítica, que provoca a destruição acelerada dos glóbulos vermelhos.
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Harald da Noruega, o mais velho dos monarcas europeus, modernizou a Casa Real ao longo do seu reinado. Manteve sempre a postura de não abdicar, recusando seguir o exemplo de outros soberanos mais idosos.
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Com o seu desaparecimento, o príncipe herdeiro Haakon ascende automaticamente ao trono, passando a ser o rei Haakon VIII.
A Constituição norueguesa foi alterada em 1990 para permitir que o filho mais velho, independentemente do género, tivesse prioridade na linha de sucessão. Contudo, essa mudança não foi aplicada retroativamente, o que garantiu a Haakon a primazia sobre a sua irmã mais velha, Märtha Louise.
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À semelhança de outras monarquias constitucionais, os soberanos noruegueses desempenham um papel sobretudo simbólico, gozando de grande visibilidade, enquanto o poder político reside num parlamento eleito, numa democracia com 5,5 milhões de habitantes.
Harald assumiu o trono em 21 de janeiro de 1991, após a morte do seu pai, o rei Olav V. O seu reinado coincidiu com um período de forte expansão económica impulsionada pelo petróleo e gás no país. Ao subir ao trono, adotou o mesmo lema que o pai e o avô: “Tudo pela Noruega”, e dedicou os anos seguintes a modernizar a monarquia.
“A minha experiência diz-me que a monarquia se mantém forte”, disse numa ocasião. “Isto deve-se, em grande parte, ao facto de o meu pai e o meu avô terem feito a maioria das coisas bem. Isso coloca-me sob pressão, mas encaro-o como um desafio.”
Em 2016, Harald proferiu um discurso notável e emotivo em defesa da igualdade LGBTQ+, dos refugiados e da tolerância religiosa. Garantiu que “os noruegueses são raparigas que amam raparigas, rapazes que amam rapazes e raparigas e rapazes que se amam uns aos outros”. Acrescentou ainda que muitos noruegueses imigraram do Afeganistão, do Paquistão, da Polónia e de outros países, e que “acreditam em Deus, em Alá, no universo e em nada”. O discurso, que celebrava a diversidade da nação escandinava, foi visto por milhões de pessoas nas redes sociais.
Ao longo do seu reinado, a família real sofreu relativamente poucos escândalos, sobretudo quando comparada com as congéneres sueca ou britânica. No entanto, a Princesa Märtha Louise, filha de Harald, abdicou das suas funções reais em novembro de 2022, depois de ter gerado surpresa ao afirmar que comunicava com anjos e de ter anunciado o noivado com um americano que se identifica como xamã.
A Casa Real norueguesa enfrentou uma nova e significativa polémica no início de 2026. A Princesa Herdeira Mette-Marit, nora de Harald, voltou a ser alvo de escrutínio devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, o falecido agressor sexual. Documentos divulgados em janeiro de 2026 mostraram um contacto extenso entre Mette-Marit e Epstein ao longo de vários anos, com a princesa a pedir desculpa publicamente em fevereiro e a afirmar, em março de 2026, ter sido “manipulada e enganada”. O caso levantou questões sobre o seu discernimento, embora não tenha sido acusada de qualquer irregularidade.
Quase na mesma altura, o seu filho mais velho, Marius Borg Høiby, foi condenado a 15 de junho de 2026 por violação, num julgamento com grande repercussão mediática que o sentenciou a quatro anos de prisão. Høiby, filho de Mette-Marit de uma relação anterior ao seu casamento com Haakon, não possui títulos reais nem funções oficiais. Está atualmente a cumprir pena com uma pulseira eletrónica.