Harry e Meghan trocam Balmoral por Tanera Mòr: Refúgio privado após recusa de proteção policial
O casal de Sussex encontrou privacidade e propósito num local comprado por 1,7 milhões de libras, onde mais de metade dos hóspedes são apoiados por uma fundação de caridade.

A ilha escocesa de Tanera Mòr abriu as portas aos duques de Sussex. Harry e Meghan Markle levaram os filhos Archie e Lilibet a este paraíso privado, um dos destinos agora revelados da sua recente e complexa viagem ao Reino Unido.
O casal já regressou aos Estados Unidos, mas os detalhes daquela que foi uma das mais discretas e desafiantes visitas dos Sussex ao Reino Unido continuam a surgir. Até agora, sabia-se que a família tinha estado em Melides, no litoral português, antes de um percurso por Inglaterra que incluiu Gloucestershire, onde fica a quinta privada dos reis Carlos e Camilla, e Northamptonshire, casa ancestral dos Spencer.
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Agora, junta-se à lista um novo ponto no mapa: Tanera Mòr, a maior das ilhas Summer, um arquipélago remoto nas Terras Altas escocesas, ao largo de Ullapool. A ilha, que historicamente teve uma pequena população ligada à pesca e à agricultura, é hoje propriedade privada do multimilionário Ian Wace, cofundador do fundo Marshall Wace.
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Wace comprou Tanera Mòr por 1,7 milhões de libras esterlinas (cerca de dois milhões de euros) em 2017. Desde então, a paisagem transformou-se: foram plantadas 100 mil árvores, recuperou-se uma dezena de propriedades e construíram-se cerca de cinco quilómetros de estradas. Mas o que mais terá atraído Harry, segundo o Daily Mail – jornal do grupo editorial que se confrontou judicialmente com sucesso com o príncipe –, é o caráter filantrópico do local.
Até ao ano passado, mais de metade dos mil hóspedes de Tanera Mòr pertenciam à Fundação Taigh Mor, uma instituição de caridade que melhora o bem-estar de quem serve nas forças armadas ou nos serviços de emergência. Este é um interesse que liga diretamente aos Jogos Invictus de Harry, o que faz dos dois amigos de longa data.
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Tanera Mòr não é um retiro comum, mas sim uma experiência de autossuficiência e trabalho comunitário. Os hóspedes, incluindo os Sussex, podem participar na recuperação de casas tradicionais, na apanha de algas na costa, na pesca de cavala para consumo local, e colaborar nas cozinhas e jardins da ilha. Até a apicultura entra em cena, uma paixão que Meghan já pratica na Califórnia, como mostrou no seu programa da Netflix.
Apesar da saída da família real e de todas as fronteiras – geográficas, institucionais e emocionais – que atravessaram desde então, Harry e Meghan mantêm bons amigos no Reino Unido. A estadia em Tanera Mòr demonstra-o claramente: há pessoas do seu antigo círculo que lhes continuam a abrir as portas, oferecendo refúgio e acompanhamento em momentos significativos.
O Daily Mail adiantou que a então esposa de Wace, a ex-modelo Saffron Aldridge, criou uma relação próxima com Meghan depois de a atriz americana se mudar para a Grã-Bretanha para viver com Harry. Wace e Saffron separaram-se em 2023 e já se divorciaram, mas mantêm a amizade.
Quase de imediato, e como parte da tendência para ler cada passo do casal em tom crítico, o foco mediático desviou-se para um pormenor: os filhos não estiveram no Castelo de Balmoral, em Aberdeenshire. A residência preferida de Isabel II, o local onde faleceu e onde Harry passou grande parte da infância – incluindo o dia em que lhe comunicaram a morte de Diana de Gales – tornou-se um argumento recorrente para questionar as suas decisões.
Balmoral é uma residência real, com tudo o que isso implica. É bom lembrar que a Harry e Meghan tinham negado alojamento no Palácio de Buckingham poucos dias antes desta viagem. Ainda que Balmoral seja uma propriedade privada da família real e Buckingham pertença ao Estado, ambos os espaços partilham uma enorme carga simbólica: são puro terreno Windsor e pura Coroa britânica.
Nesse contexto, Tanera Mòr surge como uma alternativa lógica: um enclave remoto, seguro e discreto, onde a família pode mover-se sem restrições e sem a carga institucional que acompanha qualquer estadia em propriedades reais. Não é de esquecer que parte da complexidade desta viagem residiu na recusa do Ministério do Interior em fornecer proteção policial aos Sussex em solo britânico, o que os obrigou a repensar por completo o itinerário e as opções de alojamento.
Assim, na ilha escocesa, os duques de Sussex encontraram um espaço que combina privacidade, natureza e liberdade de decisão, confirmando que, para lá da narrativa de rutura total, os laços com figuras influentes da sua vida britânica permanecem sólidos.