Imagens da pandemia de Covid-19 usadas para espalhar pânico sobre o hantavírus
Alarme falso: Macron não fechou escolas devido ao hantavírus e vídeo viral é de 2020

A OMS já veio a público esclarecer que o recente surto de hantavírus no navio MV Hondius não representa o início de uma nova pandemia.
Um vídeo a circular na rede social X, que já soma mais de 320 mil visualizações, mostra o presidente francês, Emmanuel Macron, a anunciar o fecho de todas as escolas em França. A publicação associa a alegada medida drástica a um surto de hantavírus, mas trata-se de pura desinformação.
Nas imagens virais, é possível ouvir Macron a decretar: “A partir de segunda-feira e até nova ordem, as creches, as escolas, os colégios, os liceus e as universidades estarão fechadas“. A mensagem partilhada online alega que a decisão surge na sequência de um surto a bordo do navio de cruzeiro holandês MV Hondius, que contabiliza cinco casos confirmados, três suspeitos e três mortes. No entanto, o vídeo não é recente.
As imagens correspondem a uma transmissão oficial da France 24, datada de 12 de março de 2020, momento em que o presidente discursava a partir do Palácio do Eliseu para anunciar restrições devido ao início da pandemia de Covid-19 e, o registo foi deliberadamente “reciclado” para gerar alarme injustificado.
Apesar da falsidade do vídeo, existe uma ligação real, embora limitada, entre o hantavírus e a França.
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As autoridades de saúde identificaram oito cidadãos franceses como contactos próximos de um caso confirmado, após terem partilhado um voo no dia 25 de abril e, deste grupo, apenas um indivíduo apresentou sintomas ligeiros, encontrando-se atualmente em isolamento e sob vigilância médica.
Perante os receios de uma nova crise sanitária global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já interveio para afastar qualquer cenário catastrófico.
Maria Van Kerkhove, diretora interina de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, tranquilizou a população e reforçou a importância da ciência: “Não é o início de uma epidemia. Não é o início de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para recordar que os investimentos na investigação sobre agentes patogénicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de rastreio e as vacinas salvam vidas“.