A psicóloga e comentadora Joana Amaral Dias não poupou críticas à diretora de entretenimento da TVI, classificando a sua intervenção televisiva como um erro estratégico que ignorou a dor da vítima em favor do próprio sofrimento.
A esperada entrevista de Cristina Ferreira no “Jornal Nacional” para esclarecer a polémica sobre a violação de uma jovem de 16 anos não convenceu Joana Amaral Dias e esta, recorreu a um tom irónico e contundente para classificar a prestação da apresentadora como um autêntico “comboio em descarrilamento”. Para Joana Amaral Dias, o tempo de antena utilizado não serviu para a necessária assunção de culpa, mas sim para uma estratégia de acusação a terceiros e de exaltação do próprio sofrimento. “Obrigada Cristina por ter arranjado finalmente um bocadinho de tempo, incrível, não é? Pena que o arranjou não para pedir desculpa, mas para acusar tudo e todos“, atirou a psicóloga.
Joana Amaral Dias analisou minuciosamente a entrevista, desde a escolha visual de Cristina – “original, pouca maquilhagem, sem acessórios” – até ao conteúdo das suas respostas, que considerou revelarem uma falta de preparação gritante.
A psicóloga sublinhou o egocentrismo da conversa, criticando o foco inicial no estado emocional da apresentadora. “Reparem como ela começa: ‘Tu estás bem?’ Mas ninguém perguntou. Ela está bem, mas a questão não é se ela está bem, a questão é se a rapariga que foi violada está bem“, questionou Joana, reforçando que o centro do debate deveria ser a proteção da vítima e não a imagem pública de quem comunica.
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Um dos pontos mais sensíveis da crítica de Joana Amaral Dias prende-se com o que apelidou de “um padrão” na conduta de Cristina Ferreira.
A psicóloga acusou a apresentadora de ter uma tendência recorrente para a “modificação, relativização e atenuação da violência contra mulheres e crianças“, fugindo sempre à responsabilidade individual e, para Joana, a desculpa de que a polémica foi alimentada por quem procura visualizações é uma inversão da realidade: o problema reside na “barbaridade” do que foi dito e na dificuldade de Cristina em posicionar-se de forma ética perante crimes desta natureza.
O desfecho da entrevista foi, para Joana Amaral Dias, o momento mais revelador deste “case study” de má comunicação e ainda destacou a “atrapalhação” do entrevistador quando Cristina recusou o termo “desculpa”, substituindo-o por “lamento”. “Pedi desculpa? Não, é um lamento”, citou Joana, visivelmente indignada com a semântica utilizada para evitar o reconhecimento do erro.
Recordando os anos em que trabalhou diretamente com a diretora da TVI, Joana Amaral Dias garantiu que sempre foi direta e a contrariou quando necessário, terminando com a promessa de enviar uma mensagem pessoal a Cristina Ferreira, reforçando que a apresentadora precisa urgentemente de “media training” para lidar com temas de tamanha gravidade.
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